O Palácio do Eliseu esteve no centro de um caso insólito de roubo de património, que culminou agora com a condenação de três homens pelo Tribunal Penal de Paris. Em causa está o desaparecimento e venda de cerca de uma centena de peças de porcelana utilizadas em jantares de Estado.
De acordo com a Euronews, o principal arguido, Thomas M., desempenhou funções durante cinco anos como responsável pela gestão de objetos e pela preparação das mesas em eventos oficiais. Aproveitando o acesso privilegiado aos armazéns do palácio, acabou por retirar diversas peças de louça, inicialmente por apreciação estética.
Contudo, dificuldades financeiras terão levado o arguido a avançar para a venda dos objetos, com a ajuda do seu companheiro, Damien G., que atuou como intermediário através de plataformas online e redes sociais.
Venda online levantou suspeitas
Segundo a Euronews, o caso começou a ser investigado quando a Manufacture de Sèvres identificou peças com o monograma presidencial à venda na internet. Esta descoberta levou o gabinete do presidente francês a confirmar o desaparecimento de vários artigos e a apresentar queixa.
As irregularidades nos inventários – frequentemente com números abaixo do esperado – já tinham levantado suspeitas sobre Thomas M., responsável pela gestão de cerca de 10 mil objetos.
Colecionador também condenado
O terceiro arguido, Ghislain M., rececionista no Museu do Louvre desde 2023 e colecionador de porcelana, adquiriu cerca de uma centena de peças por aproximadamente 15 mil euros. Embora tenha alegado desconhecer a origem ilícita dos objetos, admitiu em tribunal ter tido dúvidas quanto à sua proveniência.
Penas aplicadas pelo tribunal
O tribunal condenou Thomas M. a 24 meses de prisão, dos quais metade com pena suspensa e os restantes a cumprir com vigilância eletrónica, além de uma multa de 10 mil euros. Foi ainda proibido de exercer funções relacionadas com gestão financeira, frequentar leilões e aceder ao Palácio do Eliseu durante três anos.
Damien G. recebeu igualmente uma pena de 24 meses de prisão, com parte suspensa, e ficou sujeito a restrições semelhantes, incluindo a proibição permanente de exercer funções públicas.
Já Ghislain M. foi condenado a 12 meses de prisão com pena suspensa, tendo também de devolver várias peças à Manufacture de Sèvres e ficando impedido de contactar com os restantes arguidos ou frequentar leilões durante três anos.
Património e valor simbólico em causa
O valor financeiro das peças foi alvo de debate em tribunal. A Manufacture de Sèvres estimou o prejuízo em mais de 377 mil euros, valor contestado pela defesa. Ainda assim, mais do que o montante, o caso destacou-se pelo seu peso simbólico.
A fábrica de Sèvres fornece a presidência francesa desde 1848, sendo considerada um elemento importante do património nacional. O roubo destas peças representa, por isso, não apenas uma perda material, mas também um atentado ao legado cultural francês.













