Rússia avisa que empresas europeias de drones podem ser “alvos militares”

Dmitry Medvedev deixou a ameaça nas redes sociais

Francisco Laranjeira

A Rússia elevou o tom da retórica contra a Europa ao divulgar uma lista de empresas que, segundo Moscovo, fornecem drones e componentes militares à Ucrânia, classificando-as como “alvos potenciais” das suas forças armadas.

De acordo com informações divulgadas pelo Meduza e por autoridades russas, o Ministério da Defesa identificou cerca de duas dezenas de empresas localizadas em vários países europeus — incluindo Reino Unido, Alemanha, Espanha, Itália, Países Baixos, Polónia, República Checa, Letónia e Lituânia — acusando-as de apoiar diretamente o esforço militar de Kiev.

Entre as empresas mencionadas está a espanhola UAV Navigation, sediada perto de Madrid, que, segundo Moscovo, estará envolvida na exportação de sistemas de navegação para drones utilizados pela Ucrânia.

O documento oficial inclui também a localização detalhada de algumas destas empresas, numa iniciativa que o Governo russo justifica com a necessidade de informar os cidadãos europeus sobre as estruturas envolvidas no fornecimento de equipamentos militares a Kiev.

A reação mais contundente partiu de Dmitry Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia e ex-presidente do país, que deixou um aviso direto. “A lista de instalações europeias que fabricam drones e outro equipamento é uma lista de alvos potenciais para as forças armadas russas”, escreveu na rede social X.

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“Quando os ataques se tornarem realidade dependerá do que vier a seguir. Durmam bem, parceiros europeus”, acrescentou, numa mensagem que reforça a escalada verbal entre Moscovo e os aliados europeus da Ucrânia.

Segundo o Ministério da Defesa russo, o reforço da produção e do fornecimento de drones à Ucrânia — apoiado por financiamento europeu e por parcerias industriais — representa uma “escalada deliberada” do conflito, que poderá transformar os países envolvidos numa retaguarda estratégica de Kiev.

Moscovo acusa ainda os líderes europeus de estarem a “arrastar” os seus países para a guerra, alertando para consequências imprevisíveis e para o agravamento da situação político-militar no continente.

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A divulgação da lista surge num momento em que vários países europeus intensificam o apoio à Ucrânia, incluindo novos acordos para produção de drones e fornecimentos adicionais anunciados por aliados como o Reino Unido.

Desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, a Ucrânia tem contado com apoio militar e financeiro dos países ocidentais, ao mesmo tempo que a União Europeia e outros parceiros têm imposto sanções à economia russa.

O novo aviso de Moscovo reforça o risco de alargamento indireto do conflito, numa altura em que a guerra entra numa fase cada vez mais marcada pela tecnologia, pela indústria de defesa e pela crescente interligação entre frentes militares e económicas.

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