Eslovénia vira-se para Putin? Novo líder quer ir a Moscovo e desafia a NATO

E se um país da União Europeia decidisse abandonar a NATO? É esse o cenário colocado por Zoran Stevanović, que promete um referendo e prepara uma visita a Moscovo.

Patrícia Moura Pinto

O novo presidente do Parlamento da Eslovénia, Zoran Stevanović, garante que não tem posições pró-Rússia, mas as suas primeiras declarações no cargo estão a gerar controvérsia. Entre os planos anunciados estão uma visita a Moscovo e a realização de um referendo sobre a eventual saída da NATO.

De acordo com o Euromaidan Press, Stevanović confirmou que pretende deslocar-se à capital russa “num futuro próximo”, defendendo a necessidade de “construir pontes com todos os países”, apesar das tensões entre o Ocidente e o Leste.

O novo líder parlamentar reafirmou também uma das principais promessas do seu partido, o Resni.ca: levar a votação popular a permanência da Eslovénia na NATO. Segundo o Euromaidan Press, Stevanović garantiu que o referendo será realizado, cumprindo o compromisso assumido antes das eleições.

Recorde-se que a Eslovénia aderiu à NATO em 2004, após um referendo em que 66% dos eleitores apoiaram a integração. Desde então, o país tem mantido uma política externa alinhada com o bloco ocidental.

Além disso, o político criticou as sanções impostas pela União Europeia à Rússia, classificando-as como um “autogolo” para os interesses europeus.

Continue a ler após a publicidade

As declarações de Stevanović surgem num contexto político sensível. As eleições legislativas eslovenas de março de 2026 resultaram num impasse, com o Movimento Liberdade, liderado por Robert Golob, a conquistar 29 lugares, apenas mais um do que o partido SDS de Janez Janša.

Apesar de o partido de Stevanović ter apenas cinco deputados no parlamento de 90 lugares, conseguiu garantir a presidência da Assembleia com 48 votos de diferentes forças políticas.

Ao mesmo tempo, na Hungria, o primeiro-ministro Viktor Orbán foi afastado do poder após 16 anos, abrindo espaço a uma nova liderança liderada por Péter Magyar. Segundo o Euromaidan Press, este cenário pode reforçar o papel do primeiro-ministro eslovaco Robert Fico como aliado de posições mais próximas de Moscovo dentro da União Europeia, podendo agora contar com apoio político em Liubliana.

Continue a ler após a publicidade

“Não sou pró-Rússia, sou pró-Eslovénia”

Apesar das críticas, Stevanović rejeita categoricamente a ideia de alinhamento com o Kremlin. O presidente do parlamento afirma que as suas posições são apenas orientadas pelos interesses nacionais.

Citado pelo Euromaidan Press, o responsável político declarou que não tem “quaisquer posições pró-Rússia, apenas pró-Eslovénia”, defendendo uma política externa independente e soberana. Acrescentou ainda que o país deve opor-se a qualquer interferência em conflitos militares ou diplomáticos externos.

Stevanović ganhou notoriedade durante os protestos contra as restrições impostas na pandemia de COVID-19. O seu partido, Resni.ca, é descrito como uma força populista de direita, eurocética e anti-vacinação, sendo atualmente a menor representação parlamentar.

Apesar das posições polémicas, o líder afasta a possibilidade de saída da União Europeia, reconhecendo que a Eslovénia beneficia da pertença ao bloco comunitário.

Continue a ler após a publicidade

O seu passado inclui ainda uma condenação por tentativa de fraude em seguros, ocorrida há cerca de 25 anos, que resultou numa multa de 800 euros.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.