Primeiro-ministro de país da NATO alerta para possível invasão dos EUA e pede preparação

O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, advertiu que o território autónomo dinamarquês deve estar preparado para todos os cenários, incluindo uma eventual invasão por parte dos Estados Unidos, na sequência da retórica intensificada do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a anexação da ilha.

Pedro Zagacho Gonçalves

O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, advertiu que o território autónomo dinamarquês deve estar preparado para todos os cenários, incluindo uma eventual invasão por parte dos Estados Unidos, na sequência da retórica intensificada do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a anexação da ilha.

Em declarações à NBC News, Nielsen revelou que o Governo gronelandês aconselhou a população a preparar reservas de alimentos, água e roupa quente suficientes para, pelo menos, cinco dias. “Se fizerem alguma coisa à nossa infraestrutura, naturalmente precisamos de estar preparados”, afirmou.

Donald Trump tem defendido repetidamente que a aquisição da Gronelândia é necessária para a segurança nacional dos Estados Unidos. No início do ano, a Casa Branca não excluiu a possibilidade de recurso à via militar para alcançar esse objetivo, posição que tem alimentado preocupações de segurança entre os habitantes da ilha e colocado aliados da NATO numa posição delicada.

A doutrina da NATO estabelece, no seu Artigo 5.º, que um ataque contra um Estado-membro deve ser considerado um ataque contra todos. Questionado sobre se recebeu garantias de que a Aliança Atlântica defenderia a Gronelândia numa eventual ação militar norte-americana, Nielsen admitiu incerteza: não sabe se a NATO “daria garantias de lutar por nós contra outro aliado”.

Ainda assim, referiu que países da NATO “mencionaram publicamente que nos apoiam totalmente”, mas reconheceu que o tema da defesa coletiva é “uma conversa difícil” e “difícil de responder”.

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Segundo o líder gronelandês, os cidadãos “não se sentem seguros” e têm estado “assustados” face às declarações do presidente dos Estados Unidos.

Trump critica NATO e insiste na importância estratégica da ilha
Na semana passada, em plena guerra com o Irão, Donald Trump criticou a NATO numa publicação na rede social Truth Social, sugerindo que a aliança não correspondeu às expectativas norte-americanas. “A NATO não esteve lá quando precisámos deles e não estará se voltarmos a precisar. Lembrem-se da Gronelândia, aquele grande pedaço de gelo mal gerido”, escreveu.

Já em janeiro, Trump sustentou que os Estados Unidos precisam da Gronelândia “por razões de segurança nacional”, classificando o território como “vital para o Domo Dourado que estamos a construir”. Acrescentou ainda que “a NATO deveria liderar o caminho para que a obtenhamos” e advertiu que, caso contrário, “a Rússia ou a China o farão”.

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A insistência do presidente norte-americano tem provocado tensão nas relações com aliados europeus, que não apoiam a ideia de anexação. Também a opinião pública norte-americana revela reservas: uma sondagem realizada pela YouGov e pela revista The Economist, entre 23 e 26 de janeiro, junto de 1.684 inquiridos, concluiu que apenas 13% apoiam o uso da força militar para tomar a Gronelândia, enquanto 32% aceitariam a compra do território.

“A Gronelândia não está à venda”
Jens-Frederik Nielsen tem rejeitado firmemente qualquer hipótese de integração nos Estados Unidos. Em janeiro, declarou que a ilha “não está à venda”.

“A Gronelândia não quer ser propriedade dos Estados Unidos. A Gronelândia não quer ser governada a partir dos Estados Unidos. A Gronelândia não quer fazer parte dos Estados Unidos”, afirmou então.

A Gronelândia é um território autónomo do Reino da Dinamarca, membro da NATO, o que torna particularmente sensível qualquer cenário de confronto entre aliados da Aliança Atlântica.

Apesar das declarações reiteradas de Donald Trump, não foram anunciados quaisquer planos militares formais para a tomada da Gronelândia.

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Nos mercados de previsão política, as probabilidades de uma aquisição parecem limitadas. A plataforma Kalshi atribui 27% de probabilidade a que Trump consiga comprar pelo menos parte da Gronelândia antes de deixar o cargo. Já a Polymarket indicava, na quarta-feira à tarde, uma probabilidade de 8% de que o presidente adquira o território ainda em 2026 — percentagem inferior à registada em janeiro, numa altura em que a guerra com o Irão passou a dominar as prioridades de política externa dos Estados Unidos.

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