Mais de um milhão de cidadãos europeus apoiaram uma iniciativa que pede à Comissão Europeia a suspensão total do Acordo de Associação com Israel, intensificando a pressão sobre Bruxelas para tomar medidas face às alegadas violações de direitos humanos no conflito em Gaza, escreve o ‘El País’.
A iniciativa, apresentada no âmbito do mecanismo de Iniciativa de Cidadania Europeia (ICE), obriga a Comissão a analisar formalmente o pedido e a responder, caso sejam reunidas assinaturas suficientes em vários Estados-membros. Os organizadores destacam a rapidez com que o objetivo foi alcançado — em apenas três meses — como sinal do crescente descontentamento público com a atuação da União Europeia.
O movimento vai além da mobilização popular. Mais de 350 ex-altos responsáveis europeus, incluindo antigos embaixadores e ministros, assinaram uma carta aberta a pedir à União Europeia que utilize “todos os meios legais, diplomáticos e económicos” para pressionar Israel, incluindo a suspensão do acordo comercial.
Segundo os promotores, o objetivo passa agora por atingir pelo menos 1,5 milhões de assinaturas, de forma a reforçar ainda mais a pressão política e garantir que o limiar mínimo de validação é ultrapassado sem margem para contestação.
A União Europeia é o principal parceiro comercial de Israel, o que torna o acordo uma ferramenta de influência significativa. No entanto, desde o início da ofensiva israelita em Gaza, na sequência dos ataques do Hamas, Bruxelas tem mantido uma posição cautelosa, travada por divisões internas entre Estados-membros.
Países como Espanha e Irlanda têm defendido uma suspensão do acordo desde cedo, mas a oposição de outros, como Alemanha, Áustria, Itália e Hungria, tem impedido avanços concretos. Ainda assim, o cenário político começa a mudar, com várias capitais europeias a demonstrar crescente impaciência face à atuação do Governo de Benjamin Netanyahu.
Nos últimos dias, Itália anunciou que não irá renovar o acordo de defesa com Israel, enquanto França endureceu o discurso diplomático, apelando a uma mudança de política por parte do Governo israelita e ao respeito pelo direito internacional.
Em paralelo, a situação humanitária em Gaza continua a deteriorar-se, com uma redução significativa da ajuda que entra no território e restrições à entrada de bens essenciais, segundo fontes europeias.
A Comissão Europeia tem reiterado que “todas as opções estão em cima da mesa”, incluindo medidas no âmbito do acordo de associação. O tema deverá estar em destaque na próxima reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia.
Para os signatários da carta aberta, o momento exige ação imediata. O grupo defende não só a suspensão total ou parcial do acordo, mas também a proibição do comércio com colonatos ilegais, restrições ao comércio de equipamento militar e o alargamento de sanções contra responsáveis por violações do direito internacional.
O aumento da pressão, tanto da sociedade civil como de figuras políticas e diplomáticas, coloca Bruxelas perante uma decisão cada vez mais difícil, num contexto de crescente tensão no Médio Oriente e de divisão dentro da própria União Europeia.



