Pandemia de Covid-19 «pode ser só o início» e os culpados «somos nós», alertam especialistas

Os seres humanos são os responsáveis pela actual pandemia e a Covid-19 «pode ser só o início», escrevem três especialistas em biodiversidade, num artigo publicado na Plataforma Intergovernamental de Ciência e Política sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas.

Executive Digest

A actual pandemia e a Covid-19 «pode ser só o início» e os culpados «somos nós», escrevem três especialistas em biodiversidade, num artigo publicado na Plataforma Intergovernamental de Ciência e Política sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES, na sigla original).

De acordo com os especialistas, «as recentes pandemias são a consequência directa da actividade humana, particularmente os sistemas económicos e financeiros globais, que dão prioridade ao crescimento económico a qualquer custo». E, alertam, «a nossa janela de oportunidade para lidar com o actual vírus, no sentido de prevenir o aparecimento de outros no futuro, é muito pequena».



Os três especialistas, Josef Settele, Sandra Díaz e Eduardo Brondizio, indicam também que 70% das novas doenças que afectam os seres humanos têm origem animal. A «excessiva desflorestação, a agricultura intensiva, a extracção de minerais e o desenvolvimento de infraestruturas, assim como a exploração de espécies selvagens, criaram a tempestade perfeita para a transmissão de doenças entre animais e pessoas», como aconteceu no caso do novo coronavírus.

«Se não formos extremamente cautelosos quanto ao impacto das escolhas que fazemos hoje, no futuro é provável que as pandemias se tornem cada vez mais frequentes e se propaguem ainda com maior rapidez, causando impactos económicos desastrosos e vitimando pessoas», avisam, sublinham que «as doenças transmitidas pelos animais são responsáveis por cerca de 700 mil mortes todos os anos». Estima-se, aliás, que «existam em mamíferos e aves aquáticas cerca de 1,7 milhões de vírus não identificados e capazes de infectar humanos».

Acrescentam, igualmente, que «pode haver a tentação política de, nesta altura, alterar os seus padrões ambientais e apoiar indústrias como a da agricultura intensiva e a da aviação, e sectores energéticos dependentes dos combustíveis fósseis». No entanto, «fazê-lo sem proceder a mudanças que são urgentes só irá contribuir para o aparecimento de mais pandemias».

Em Portugal morreram 928 pessoas das 24.097 confirmadas como infectadas, e há 1.329 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

Portugal cumpre o terceiro período de 15 dias de estado de emergência, iniciado em 19 de Março. O Governo anunciou a proibição de deslocações entre concelhos no fim de semana prolongado de 1 a 3 de Maio.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias “France-Presse”, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 210 mil mortos e infectou mais de três milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 818 mil doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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