Redes de imigração ilegal usam Portugal como porta de entrada: documentos falsos disparam

De acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2025, foram detetados 627 documentos falsos, acima dos 521 registados em 2024 e dos 508 em 2023

Revista de Imprensa

O aumento das apreensões de documentos fraudulentos nas fronteiras portuguesas está a revelar um fenómeno mais complexo do que aparenta: redes organizadas de auxílio à imigração ilegal estão a usar Portugal como ponto de entrada e trânsito para outros países europeus, escreve o ‘Jornal de Notícias’.

De acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2025, foram detetados 627 documentos falsos, acima dos 521 registados em 2024 e dos 508 em 2023. Entre os casos mais frequentes estão documentos provenientes da Albânia (63), da Geórgia (42) e do Irão (26), evidenciando rotas cada vez mais diversificadas.

Apesar da subida, as autoridades afastam a ideia de um aumento direto das tentativas de entrada ilegal. O superintendente Hugo Palma, da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras da PSP, explica que o crescimento reflete sobretudo uma maior capacidade de deteção desde que a PSP assumiu o controlo da fronteira aérea em 2023, após a extinção do SEF.

Essa evolução tem permitido identificar um padrão mais estruturado. Segundo o responsável, estão em causa redes transnacionais organizadas que facilitam a entrada irregular de cidadãos no espaço europeu através de documentos falsos, contrafeitos ou pertencentes a terceiros. Ao contrário do tráfico de seres humanos, trata-se de esquemas em que, mediante pagamento, são fornecidos meios para contornar os controlos fronteiriços.

O ‘Jornal de Notícias‘ sublinha que alguns fluxos, nomeadamente os associados à Albânia e à Geórgia, indicam níveis mais elevados de organização, com possíveis ramificações internacionais. A investigação criminal destes casos passa depois para a Polícia Judiciária, que aprofunda eventuais ligações ao crime organizado.

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Na maioria das situações, Portugal surge apenas como ponto de passagem. “Esmagadoramente, estamos a falar de pessoas que não iriam para Portugal”, afirma Hugo Palma, explicando que o objetivo final dos migrantes é, na maioria dos casos, outro país do espaço Schengen.

As redes adaptam-se constantemente, explorando fragilidades percebidas nos sistemas de controlo e alterando rotas sempre que enfrentam maior pressão policial. O controlo é feito logo nas cabinas de inspeção documental, sendo que, em caso de suspeita, os passageiros são encaminhados para uma segunda linha com equipamentos especializados capazes de detetar fraudes — incluindo situações em que o documento é verdadeiro, mas pertence a outra pessoa.

Quem é apanhado com documentação falsa vê a entrada recusada, é reenviado para o país de origem e pode ficar impedido de regressar ao espaço Schengen entre dois e cinco anos. Nos casos detetados à saída, pode mesmo haver detenção e apresentação a juiz.

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Os dados mostram ainda mudanças nas origens dos documentos fraudulentos. Em 2025, a Geórgia destacou-se como uma nova presença relevante, ao contrário de 2024, quando não tinha sido registado qualquer caso. Também surgiram mais documentos do Brasil, Bolívia e Guiné-Conacri. Em sentido inverso, deixaram de ser detetados documentos da Guiné-Bissau, Nepal, Gâmbia, Bangladesh ou República Dominicana.

O retrato traçado pelas autoridades aponta, assim, para um fenómeno em transformação, onde a sofisticação das redes e a adaptação constante das rotas colocam novos desafios à segurança nas fronteiras europeias.

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