Irão: Washington diz estar a discutir nova ronda de negociações com Teerão

Washington está a discutir a possibilidade de novas negociações com Teerão, declarando-se otimista quanto a um acordo, após a ameaça iraniana de bloquear a circulação no mar Vermelho em resposta ao bloqueio dos portos do país persa.

Executive Digest com Lusa

Washington está a discutir a possibilidade de novas negociações com Teerão, declarando-se otimista quanto a um acordo, após a ameaça iraniana de bloquear a circulação no mar Vermelho em resposta ao bloqueio dos portos do país persa.


O Irão reafirmou a vontade de continuar a negociar, enquanto o mundo espera a prorrogação do cessar-fogo, em vigor desde 08 de abril, e o fim de uma guerra que causou milhares de mortos, principalmente no Irão e no Líbano, ao mesmo tempo que abalou a economia mundial.


Estão a decorrer discussões com vista a uma retoma das negociações em Islamabade, capital do Paquistão, “mas nada é oficial” ainda, declarou na quarta-feira a porta-voz da Casa Branca.


“Mas estamos otimistas quanto à perspetiva de um acordo”, acrescentou Karoline Leavitt, após o fracasso de uma primeira ronda de negociações, também em Islamabade, no domingo.


O influente chefe do exército paquistanês, Asim Munir, foi recebido na quarta-feira no Irão pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi.

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O porta-voz da diplomacia de Teerão, Esmail Baghai, afirmou que “várias mensagens tinham sido trocadas através do Paquistão” nos últimos três dias.


No entanto, manteve-se firme numa exigência fundamental do Irão: o direito à energia nuclear civil não pode ser “retirado sob pressão ou através da guerra”, afirmou, abrindo apenas a porta a debates sobre “o nível e o tipo de enriquecimento” do urânio.


Os objetivos de Israel e dos Estados Unidos relativamente ao Irão “são idênticos”, assegurou o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, referindo-se nomeadamente ao “abandono da capacidade de enriquecimento no interior do Irão”.

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No terreno, Teerão continua a bloquear o estreito de Ormuz e Washington impõe, desde segunda-feira, um bloqueio aos navios provenientes ou com destino aos portos iranianos.


O exército norte-americano anunciou na quarta-feira ter impedido dez navios de deixar os portos iranianos.


“As forças norte-americanas paralisaram completamente o comércio marítimo” do Irão, afirmou o chefe das forças norte-americanas na região. Brad Cooper sublinhou que cerca de 90% da economia iraniana depende do comércio marítimo.


Se os Estados Unidos “criarem insegurança para os navios comerciais do Irão e os petroleiros”, isso constituirá “o prelúdio” para uma violação do cessar-fogo, retorquiu o chefe do comando das forças armadas iranianas, general Ali Abdollahi.


O Irão não permitirá “nenhuma exportação ou importação no golfo Pérsico, no mar de Omã ou no mar Vermelho”, acrescentou, sem especificar a forma que o bloqueio no mar Vermelho assumiria.

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Por sua vez, o conselheiro do líder supremo iraniano, Mohsen Rezaei, ameaçou afundar os navios dos EUA caso estes tentassem fazer “de polícia” no estreito.


“Os vossos navios serão afundados pelos nossos primeiros mísseis e isso representa um perigo para os militares americanos”, ameaçou Rezaei, na televisão iraniana.


Os ministros das Finanças de 11 países, incluindo Reino Unido, Japão e Austrália, apelaram para uma “resolução negociada” do conflito, referindo-se às ameaças “à segurança energética mundial, às cadeias de abastecimento, bem como à estabilidade económica e financeira”.


A bolsa de Nova Iorque encerrou em alta na quarta-feira, com os índices S&P 500 e Nasdaq Composite a atingirem novos recordes, com os investidores a apostarem na continuação das negociações entre EUA e Irão.


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