A Câmara de Lisboa passou de prejuízo a um lucro de 63,2 milhões de euros (ME) em 2025, uma melhoria de 73,1 ME (737,5%) face ao resultado negativo de 2024, segundo as contas hoje aprovadas.
Em reunião privada do executivo municipal, que decorreu na ausência do presidente da câmara, Carlos Moedas (PSD), foi discutido o Relatório de Gestão, Demonstrações Financeiras e Orçamentais de 2025, que foi aprovado com os votos contra de PCP e BE, a abstenção de PS e Livre, e os votos a favor da liderança PSD/CDS-PP/IL e do Chega, informou à Lusa fonte do município.
O documento, que ainda tem de ser submetido à assembleia municipal, refere que o lucro de 2025 foi de 63,2 ME, “representando uma melhoria de 73,1 ME” face ao resultado negativo de 2024 (-9,9 ME).
Essa evolução é justificada com o “crescimento expressivo do EBITDA” (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que ascendeu a 176,7 ME, registando um aumento de 71 ME (+67,2%) face a 2024, assim como o aumento generalizado dos rendimentos, especialmente fiscais, e a “contenção relativa do crescimento da despesa”.
A receita cobrada pelo município “ascendeu a 1.286,2 ME, correspondendo a uma taxa de execução de 95,9%, superior à verificada em 2024 (87,8%)”, que se traduz num crescimento de 192,9 ME (+17,6%), em que a receita fiscal se mantém como principal fonte de financiamento (47,7%), totalizando 613,1 ME.
Na receita fiscal, que aumentou 10,6% em relação a 2024, destacam-se o Imposto Municipal sobre a Transmissão Onerosa de Imóveis (IMT), de 313,3 ME (+13,7%), o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), de 143,1 ME (+4,0%), e a derrama, de 138,1 ME (+12,4%).
As contas realçam também as receitas da atividade corrente, com 270 ME, em que se incluem as taxas e multas, no valor de 159,4 ME, e a taxa turística, no montante de 83,2 ME, assim como as transferências, com 223,5 ME, inclusive do financiamento europeu do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com 67,4 ME, dos quais 62,7 ME para habitação.
Quanto à despesa, o relatório indica que foram executados 1.143,9 ME, dos quais 861,6 ME em despesas correntes e 282,3 ME em despesas de capital, com um acréscimo de 74,2 milhões de euros (+6,9%) face a 2024.
Já a dívida total ascendeu a 427,1 ME em 2025, mais 105,2 ME face ao ano anterior, segundo o relatório, explicando que este crescimento resulta sobretudo dos financiamentos contratados para suportar investimento em habitação, infraestruturas escolares, mobilidade e ação climática.
“Apesar deste aumento, o nível de endividamento mantém-se significativamente abaixo da média da receita corrente líquida dos últimos três anos (869,1 ME), assegurando o cumprimento dos limites legais”, ressalva.
Na mesma reunião, foram aprovadas as contas da Carris, com os votos contra do PCP e BE, a abstenção do PS e Livre e a favor das restantes forças políticas.
A empresa municipal de transporte coletivo obteve um lucro de 655.000 euros em 2025, um aumento de 18,9% face aos 551.000 euros registados em 2024.
No ano passado, os passageiros transportados pela Carris diminuíram 1,5%, mas a receita tarifária aumentou 2,7% para cerca de 126 milhões de euros.
Já a velocidade média dos autocarros foi de 13,57 quilómetros por hora (km/h), o que representa uma redução de 1% face a 2024 (13,71 km/h), o pior desempenho registado neste indicador, que a empresa municipal justificou sobretudo com o “agravamento das condições de circulação viária”.
A CML aprovou ainda, com o mesmo sentido de voto, as contas da Empresa de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL), que fechou o ano passado com um lucro de 118.000 euros, uma queda significativa face ao resultado líquido de 1,559 milhões obtido no ano anterior.
A discussão das contas das outras três empresas municipais, nomeadamente a EGEAC Lisboa Cultura, Gebalis (gestão dos bairros) e SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana, foi adiada para uma próxima reunião de câmara, indicou à Lusa fonte da autarquia.








