O que leva as empresas internacionais a escolher e manter investimento em Portugal? Esta foi uma das questões levantadas por Rui Malcata, Diretor da Steelcase, na sua intervenção “O que Portugal atrai?”, na XXX Conferência Executive Digest.
O responsável da Steelcase começou por sublinhar que, quando se pergunta o que torna o país atrativo, surgem respostas imediatas como o clima, a gastronomia e as pessoas. Ainda assim, defendeu que, no caso da empresa, a decisão de investimento vai muito além desses fatores.
Fundada em 1912 nos Estados Unidos, a Steelcase evoluiu de uma empresa focada na resolução de problemas básicos em ambientes de escritório — como o desenvolvimento do cesto de papéis metálico — para um dos principais players globais em mobiliário e soluções para espaços de trabalho, combinando design, ergonomia e investigação sobre comportamento organizacional.
A entrada na Europa foi feita através de aquisições industriais, num setor que, apesar de não apresentar crescimento expressivo a nível global, é visto pela empresa numa perspetiva alargada. O responsável destacou que a transformação dos espaços de trabalho tem impacto direto em organizações de serviços, que representam cerca de 60% da economia portuguesa.
No caso de Portugal, Rui Malcata sublinhou ainda o investimento crescente na área da educação, que em 2024 representou cerca de 10% da aposta global da empresa, com o objetivo de preparar melhor os estudantes para o mercado de trabalho.
Durante a sua intervenção na XXX Conferência Executive Digest, identificou como fatores-chave de atração empresarial a eficiência, a redução de risco, a inovação e a capacidade de atração e retenção de talento. “Na realidade, temos todas as condições para sermos extraordinários, temos possivelmente um problema cultural e comportamental”, afirmou.
Questionado sobre a competitividade face aos produtores nacionais — muitos deles fortemente exportadores — o responsável apontou a evolução do setor após a crise financeira, marcada pela pressão para reduzir custos e simplificar produtos, o que terá contribuído para uma perda de valor na indústria.
Em contrapartida, a Steelcase tem apostado numa estratégia de criação de valor, centrada na integração de produtos e serviços. “Focamo-nos em trabalhar com as organizações que procuram que os seus espaços de trabalho cumpram com os seus objetivos estratégicos de negócio”, referiu.
Para Rui Malcada, a permanência e aposta da empresa em Portugal explica-se sobretudo por um fator central: o capital humano. “O que atraiu a Steelcase para Portugal foi o valor das pessoas e quem nelas acredita e investe. Acreditamos que há valor no mercado e nas empresas portuguesas, principalmente naquelas que apostam nas pessoas”, concluiu.
A XXX Conferência Executive Digest decorre esta quarta-feira, na Culturgest, sob o tema “Os caminhos para um Portugal Extraordinário”, e conta com o apoio da Caixa Geral de Depósitos, Delta Q, Fidelidade, MC Sonae, Nova SBE, Randstad, Recordati, Steelcase, Tabaqueira/Philip Morris, Unilever, CTT, Lusíadas Saúde, Vodafone, Galp, e ainda com a parceria da Neurónio Criativo, Sapo, SENO. A Sociedade Ponto Verde é o Parceiro de Sustentabilidade do evento.








