Um ano depois do apagão que deixou Portugal às escuras durante cerca de 12 horas, a capacidade de resposta do país melhorou… mas continua longe de garantir segurança total, sobretudo na Grande Lisboa.
A análise, avançada pela revista ‘Sábado‘, mostra que houve avanços — nomeadamente no reforço de centrais de “blackstart” —, mas persistem fragilidades críticas em setores essenciais como saúde, prisões, telecomunicações e abastecimento de água.
Mais centrais, mas Lisboa continua exposta
Desde janeiro de 2026, novas centrais hidroelétricas juntaram-se à rede com capacidade de “blackstart”, permitindo, em teoria, uma recuperação mais rápida em caso de falha total do sistema elétrico.
Ainda assim, especialistas alertam que o problema estrutural se mantém: a ausência de uma fonte próxima da Grande Lisboa.
“Geograficamente continuamos mais ou menos na mesma”, avisa o engenheiro Gonçalo Aguiar, sublinhando que a capital poderá voltar a ser uma das últimas regiões a recuperar energia num novo apagão.
Hospitais reforçam… mas sem estratégia nacional clara
Na área da saúde, algumas unidades reforçaram a capacidade dos geradores — como a Maternidade Alfredo da Costa, que aumentou significativamente a autonomia após ter estado perto do colapso em 2025.
No entanto, não existe um levantamento nacional claro e há centros de saúde que continuam sem geradores próprios.
Administradores hospitalares admitem falhas e apontam para a ausência de coordenação central como um dos principais problemas.
Prisões e segurança: falhas persistem
O sistema prisional continua a apresentar fragilidades graves: seis estabelecimentos não têm qualquer fonte alternativa de energia.
Num cenário de apagão, sistemas essenciais como videovigilância e comunicações ficam inoperacionais, levantando riscos de segurança.
Água e telecomunicações ainda dependentes da rede
O abastecimento de água continua sem autonomia prolongada, com investimentos ainda dependentes de autorizações governamentais.
Já nas telecomunicações, as operadoras reforçaram sistemas de backup, mas admitem limitações. Em muitos casos, a autonomia varia entre poucas horas, ficando dependente do acesso a combustível para geradores.
Semáforos, multibanco e vida urbana em risco
Um dos problemas mais visíveis mantém-se: os semáforos. Em Lisboa, apenas 5% da rede está a ser testada com sistemas de energia de emergência — e mesmo assim com autonomia de cerca de uma hora.
Também os sistemas de pagamento eletrónico e multibanco continuam vulneráveis, com falta de garantias sobre o funcionamento em caso de falha prolongada.
Investimento existe… mas é insuficiente
O Governo anunciou um pacote de 400 milhões de euros após o apagão de 2025, incluindo investimento em baterias e redundância energética.
Apesar disso, especialistas consideram que o ritmo de execução é lento e que o país continua atrasado, agravado por instabilidade política e mudanças constantes de estratégia.
Um ano depois, a conclusão é clara: Portugal está mais preparado do que em 2025 — mas não o suficiente.
A falta de coordenação, investimento desigual e ausência de fiscalização eficaz deixam o país exposto a um novo apagão, com impactos potencialmente semelhantes.













