Como equilibrar incentivos (ou desincentivos) nas empresas? Ana Trigo Morais (Sociedade Ponto Verde), António Casanova (Unilever FIMA) e Vasco Antunes Pereira (Lusíadas Saúde) apontam caminhos de sucesso

Na mesa-debate “Incentivos ou desincentivos – Como acertar o passo”, ficou patente que “falta definir a posição do Estado”, para nem burocratizar demasiado, nem ‘intrometer-se’ demasiado nas atividades das empresas, segundo referiram 3 CEOs.

Pedro Zagacho Gonçalves

Na primeira mesa-debate da XXX Conferência Executive Digest – “Os caminhos para um Portugal Extraordinário”, sob o mote “Incentivos ou desincentivos – Como acertar o passo”, ficou patente que “falta definir a posição do Estado”, para nem burocratizar demasiado, nem ‘intrometer-se’ demasiado nas atividades das empresas, segundo referiram 3 CEOs, Ana Isabel Trigo Morais, CEO e Administradora Delegada da Sociedade Ponto Verde, António Casanova, CEO da Unilever Fima, e Vasco Antunes Pereira, CEO da Lusíadas Saúde.

Ana Trigo Morais começou por destacar que “há muito tempo discutimos como melhorar, ser extraordinários, e andamos há muitos anos com problemas que são bottlenecks. O que me parece é que somos extraordinariamente resilientes: ao mesmo tempo que não resolvemos problemas, continuamos a aguentar e a fazer com que o País tenha alguns desempenhos positivos”, motivando alguns risos na audiência.

Mas depressa deixou um sério alerta: “No setor dos resíduos e das políticas ambientais, atualmente estamos num momento em que o sistema da reciclagem preparar-se para entrar em colapso por um conjunto de razoes à luz de que há muitos anos que sabemos o que é preciso implementar para sistema eficiente de economia circular, mas andamos a adiar essas decisões, até que estamos a chegar ao colapso”, avisou exemplificando com o aterro em Coimbra.

“Para sermos extraordinários, gostava de ver maior confiança no setor privado”, apontou ainda a responsável da Sociedade Ponto Verde que ainda apontou um caminho claro do que falta para sermos extraordinários. “O que falta é coragem! Falta coragem aos políticos para tomarem decisões. Tem existido uma extraordinária falta de coragem de olhar e dizer que temos um problema para resolver. A última vez que houve coragem nas questões ambientais foi na decisão acabar com as lixeiras ao ar livre. De resto têm sido só pequenas medidas que agimos como se fosse transformar o País – mas não vão. Temos de deixar de atirar dinheiro para os problemas e esperar que se resolvam sozinhos”, indicou ainda na sua intervenção no debate Ana Isabel Trigo Morais, agitando a sala.

Por sua vez, Vasco Antunes Pereira, CEO da Lusíadas Saúde, começou por indicar que, no setor da saúde, “temos visto o que é um crescimento do setor privado que tem preenchido uma lacuna. Não é um setor que tem estimulado a procura, mas tem respondido a uma procura insatisfeita”.

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O orador sustentou que, no setor da saúde (não só privado) “a sustentabilidade está na interseção do valor social e sustentabilidade económica”. Os maiores problemas são a escassez de recursos humanos no setor da saúde” e uma dessincronização entre os sistemas de saúde e modelos e a atual realidade das esperanças médias de vida, pelo que, defendeu Vasco Antunes Pereira “é urgente, para garantir a curto medio prazo a sustentabilidade, medidas objetivas de maximização dos recursos existentes em vez de proliferar investimentos desnecessários ou alternativos”.

“Achamos que é necessário menor dogmatismo na saúde mas também maior existência sobre os recursos, e um Estado com papel de regulador e de fiscalização, mas não podemos criar desburocratiza desnecessária”, indicou o CEO da Lusíadas Saúde. Não queremos menos Estado, queremos melhor Estado. Entendo a necessidade de regulação e fiscalização, só não entendo a qualidade como se faz”, continuou, referindo exemplos da certificação de aparelhos raios-x, com processos pendentes, primeiro na APA, depois na ERS, desde as décadas de 80 e 90.

Noutra perspetiva complementar, António Casanova, CEO da Unilever Fima referiu exemplo da Casa Gallo: “somos duas das três quatro melhores empresas do mundo nessa área. Não há empresas muito mais rentáveis do que as nossas. Estamos no top mundial e vem de circunstâncias felizes, eventualmente devido ao Alqueva que possibilitou grade produção de azeite”.

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Incentivos do Estado? “Incentivos podiam ajudar mais, mas seriam no sentido apenas de não criar mais entraves. “Em Portugal não temos rastreabilidade porque há 20 anos que o Estado não regula o setor neste aspeto dos dados de produção. Estamos há 20 anos à espera, uma coisa banal que não é feita. Assim não temos rastreabilidade montada e temos de ter mais um processo administrativos mais demorada, que aumenta em 3 semanas a importação”, lamentou com este caso prático de uma burocracia que é um entrave e compromete o crescimento de um setor essencial em Portugal.

Mas o caminho não é assim tão desimpedido neste aspeto. “O Estado não precisa de ajudar, precisa de sair quando está a dificultar. Os perus não são a favor do Natal… esperar que o Estado se desmantele não vai acontecer. Todos os anos, o nível de complexidade cresce”, concluiu António Casanova, CEO da Unilever Fima.

A XXX Conferência Executive Digest decorre esta quarta-feira, na Culturgest, sob o tema “Os caminhos para um Portugal Extraordinário”, e conta com o apoio da Caixa Geral de Depósitos, Delta Q, Fidelidade, MC Sonae, Nova SBE, Randstad, Recordati, Steelcase, Tabaqueira/Philip Morris, Unilever, CTT, Lusíadas Saúde, Vodafone, Galp, e ainda com a parceria da Neurónio Criativo, Sapo, SENO. A Sociedade Ponto Verde é o Parceiro de Sustentabilidade do evento.

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