O Governo norte-americano anunciou hoje o prolongamento, até ao final de outubro, da suspensão parcial das sanções contra a gigante petrolífera russa Lukoil, no meio da subida vertiginosa dos preços dos hidrocarbonetos ligada à guerra no Médio Oriente.
De acordo com um documento do Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos da América, publicado no ‘site’ do Departamento do Tesouro, o grupo russo poderá abastecer os seus postos de serviço fora da Rússia até 29 de outubro de 2026.
Quando esta isenção foi adotada pela primeira vez, em 04 de dezembro, o prazo final era 29 de abril, e o objetivo na altura era “evitar penalizar” os clientes e fornecedores, desde que as receitas não fossem transferidas para a Rússia.
A atualização agora publicada inclui as mesmas restrições, mas ocorre no contexto de uma forte subida dos preços dos combustíveis desde a ofensiva de Israel e dos EUA contra o Irão, em 28 de fevereiro.
Os iranianos retaliaram atacando os aliados e as infraestruturas energéticas da região e, principalmente, bloqueando a navegação pelo estreito de Ormuz, por onde passa normalmente cerca de um quinto do petróleo mundial.
Os preços dispararam mais de 50%, mas recuaram hoje para menos de 100 dólares por barril, devido a um cessar-fogo que estava em vigor há vários dias e à esperança de um fim iminente do conflito.
Os Estados Unidos procuram reduzir os preços, principalmente através do alívio de certas sanções.
Foi para pressionar a Rússia, que está em guerra com a Ucrânia, que Washington acrescentou as duas maiores produtoras de petróleo russas, a Lukoil e a Rosneft, à sua lista de sanções no final de outubro — uma lista monitorizada por muitos países e temida no mundo dos negócios.
As empresas que trabalham com entidades russas correm o risco de sofrer sanções secundárias que as impediriam de aceder a bancos, comerciantes, transportadoras e seguradoras norte-americanas, que constituem a espinha dorsal do mercado de matérias-primas.
A Lukoil e a empresa de investimento Carlyle anunciaram em 29 de janeiro um acordo condicional para que a norte-americana adquirisse os ativos estrangeiros da gigante russa.
O acordo continua sujeito ao “cumprimento de várias condições precedentes”, observou a Lukoil, acrescentando que está também a conduzir “negociações com outros potenciais compradores”.
A Lukoil e a Carlyle não responderam hoje aos contactos da agência France-Presse.
Os ativos estrangeiros da Lukoil, no final de janeiro, incluíam uma rede de mais de 200 postos de serviço nos Estados Unidos, duas refinarias (na Roménia e Bulgária) e o campo petrolífero de West Qurna 2 (sul do Iraque), um dos maiores do mundo.












