Apesar do acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão, o conflito no Médio Oriente continua ativo e já está a ter impacto na economia global. A juntar-se a este cenário, a guerra na Ucrânia mantém-se, levando muitas pessoas a prepararem-se para possíveis situações de emergência.
Uma das recomendações que tem ganho destaque é a de ter dinheiro em numerário em casa, para fazer face a eventuais falhas nos sistemas eletrónicos de pagamento, como cortes de eletricidade ou problemas de rede.
Sobre este tema, vários economistas têm alertado para a importância de manter uma pequena quantia em dinheiro físico. Entre eles está Santiago Niño Becerra, que considera essencial ter um “plano B” caso cartões ou aplicações deixem de funcionar.
O analista económico aponta como valor adequado entre 70 e 100 euros por pessoa para responder a situações imprevistas. Esta recomendação está alinhada com a posição do Banco Central Europeu (BCE), que também defende a importância de manter uma pequena reserva de dinheiro em casa.
A lógica passa por garantir que existe liquidez imediata para cobrir necessidades básicas durante algumas horas ou dias. Em cenários como apagões, falhas na rede, problemas com terminais de pagamento ou outras situações inesperadas, o dinheiro físico permite continuar a fazer compras sem depender de tecnologia.
O BCE considera o numerário um elemento essencial para garantir a resiliência dos sistemas de pagamento, funcionando como uma rede de segurança quando as soluções digitais falham.
Vantagens do dinheiro físico
Uma das principais vantagens do dinheiro em numerário é o facto de não depender de eletricidade nem de ligação à internet. Além disso, mantém o seu valor mesmo em contextos de crise, sendo menos vulnerável em situações de emergência.
Por essa razão, as autoridades europeias recomendam que as famílias tenham sempre uma pequena reserva disponível para responder rapidamente a qualquer imprevisto.
Segundo o BCE, países como os Países Baixos, Áustria e Finlândia sugerem que cada membro do agregado familiar tenha entre 70 e 100 euros em casa. Este valor é considerado suficiente para garantir alguma autonomia em caso de falhas temporárias nos sistemas.
Num cálculo simples, uma família de quatro pessoas poderá ter cerca de 400 euros disponíveis, o que permitirá cobrir despesas essenciais durante um curto período.
Crises recentes reforçam importância do numerário
Situações recentes demonstram esta necessidade. Um exemplo foi o apagão de abril de 2025, que levou a um aumento da procura por dinheiro físico. Também durante a pandemia de Covid-19 se verificou um fenómeno semelhante.
Apesar das recomendações iniciais para evitar o contacto físico, a procura por numerário aumentou significativamente. O BCE descreve este fenómeno como a “paradoxo dos bilhetes”, refletindo a tendência das pessoas para guardar dinheiro em momentos de incerteza.
De acordo com dados do banco central, a pandemia levou a um aumento estimado de 140 mil milhões de euros em dinheiro guardado ao longo de dois anos.
Em cenários de crise, o dinheiro físico pode ser determinante para despesas imediatas, como alimentação, medicamentos ou transporte, especialmente quando outros meios de pagamento não estão disponíveis.
As autoridades consideram que manter uma quantia moderada em casa é uma medida prudente, desde que feita com equilíbrio, evitando excessos mas garantindo uma resposta rápida a situações inesperadas.







