A partir desta quarta-feira, a urgência de Ginecologia e Obstetrícia na Península de Setúbal entra numa nova fase, com um modelo centralizado que pretende dar resposta à escassez de médicos e à instabilidade registada nos últimos anos. Mas afinal, o que muda na prática para as utentes?
O que é a urgência centralizada?
Trata-se de um modelo que concentra a resposta urgente em menos unidades, mas com equipas reforçadas e funcionamento permanente. A medida resulta de um protocolo assinado entre a Direção Executiva do SNS e as Unidades Locais de Saúde (ULS) de Almada-Seixal, Arco Ribeirinho e Arrábida.
Segundo o diretor executivo do SNS, Álvaro Almeida, o objetivo é claro: “Garantir a continuidade da atividade e maior previsibilidade às utentes”, eliminando falhas e encerramentos frequentes.
Onde vai funcionar?
A nova urgência passa a estar dividida em dois polos:
– Hospital Garcia de Orta (Almada) – será o polo principal, com bloco de partos e apoio perinatal diferenciado
– Hospital de São Bernardo (Setúbal) – assegura a resposta urgente para a sua área de influência
O hospital do Barreiro deixa de ter urgência de obstetrícia, embora mantenha consultas, acompanhamento e partos programados.
O que muda para as utentes?
A principal mudança é no acesso. Em caso de urgência, as grávidas devem contactar primeiro a linha SNS 24 Grávida, que fará o encaminhamento adequado.
Na prática:
– Situações urgentes poderão ser encaminhadas para Almada ou Setúbal
– Casos menos graves podem ser direcionados para consultas ou cuidados de proximidade
– Deixa de haver três urgências abertas em simultâneo.
Porquê esta mudança?
A decisão surge devido à escassez de profissionais especializados, que tem dificultado o funcionamento regular das urgências na região.
O novo modelo pretende:
– Garantir equipas completas e permanentes
– Reduzir encerramentos inesperados
– Melhorar a coordenação entre urgência e cuidados programados.
Ainda assim, o próprio SNS admite que continuará a ser necessário recorrer a médicos prestadores de serviços (tarefeiros).
Como ficam as equipas?
O funcionamento será partilhado entre as três ULS:
– O polo de Almada terá cerca de 80% de profissionais da ULS Almada-Seixal e 20% do Barreiro
– O polo de Setúbal será assegurado maioritariamente pela ULS Arrábida
O sistema é flexível: em caso de necessidade, as equipas podem ser redistribuídas entre unidades.
O que se pretende a longo prazo?
O Governo defende que este modelo é uma resposta estrutural para o SNS, permitindo concentrar recursos quando não é possível garantir serviços completos em todas as unidades.
A medida já foi aplicada em Loures e Vila Franca de Xira e deverá continuar a ser avaliada, com revisões periódicas.
Há críticas?
Sim. Autarcas da região e alguns responsáveis locais têm contestado a centralização, temendo perda de proximidade e maior pressão sobre determinados hospitais.
Ainda assim, o SNS insiste que o objetivo é aumentar a segurança clínica e a eficiência.
A partir desta quarta-feira, a lógica muda: menos urgências abertas, mas mais concentradas e previsíveis. Para as utentes, o desafio será adaptar-se a um novo circuito — que começa, cada vez mais, por um telefonema.





