A guerra no Médio Oriente está a provocar uma mudança rápida nos fluxos de investimento e residência de luxo, com cada vez mais milionários a procurar refúgio na Europa — e Portugal surge como um dos destinos em destaque, segundo o ‘Bloomberg’.
A incerteza gerada pelo conflito, já no segundo mês, está a levar famílias, investidores e profissionais altamente qualificados a reconsiderar a sua permanência em cidades como Dubai ou Abu Dhabi, até agora vistas como refúgios de estabilidade. Em alternativa, destinos europeus como Espanha, França, Suíça — e Portugal — estão a captar um novo interesse.
Em Portugal, o impacto já é visível. O responsável da mediadora Fine & Country no país, Nuno Durão, revela que a procura por parte de clientes do Médio Oriente disparou logo após o início da guerra. “O número de contactos duplicou de um dia para o outro”, afirma, referindo-se a imóveis com valores médios a rondar os 2 milhões de euros.
Esta procura está, para já, concentrada em soluções temporárias — arrendamentos de curta duração ou habitação mobilada — enquanto os interessados avaliam a evolução do conflito. Ainda assim, há sinais de que algumas decisões poderão tornar-se permanentes, sobretudo se a instabilidade se prolongar.
Mais adiante, o ‘Bloomberg’ destaca que Portugal já está a ser escolhido como destino de relocalização por profissionais do setor financeiro baseados no Médio Oriente. Um gestor de private equity em Dubai terá mesmo optado por se mudar temporariamente para o país, depois de perceber que o conflito poderia durar mais do que o esperado.
O padrão repete-se noutras geografias europeias. Em Londres, as rendas de luxo estão a subir com o aumento da procura, enquanto em Marbella e na Suíça cresce o interesse por propriedades de elevado valor. Em muitos casos, trata-se de expatriados ocidentais que tinham recentemente mudado para o Golfo e que agora procuram alternativas mais seguras.
Apesar deste movimento, os especialistas sublinham que a maioria das decisões ainda é de curto prazo. Mudar residência fiscal, transferir ativos ou estabelecer uma nova base familiar exige tempo, planeamento e adaptação — fatores que travam uma saída em massa imediata.
Ainda assim, a tendência é clara. “Todos vão olhar para Espanha, Itália, Portugal e França”, resume uma responsável do setor imobiliário de luxo, apontando para um regresso aos destinos europeus tradicionais, que tinham perdido protagonismo face ao crescimento de Dubai nos últimos anos.
Num contexto de volatilidade geopolítica, Portugal surge assim como uma das opções preferenciais para quem procura estabilidade, qualidade de vida e um refúgio seguro — pelo menos enquanto a tempestade no Médio Oriente não acalma.



