O Irão está a considerar suspender temporariamente as limitações ao tráfego no Estreito de Ormuz, num gesto estratégico destinado a reduzir tensões com os Estados Unidos e a relançar as negociações de paz, avança o ‘The Independent’.
Segundo fontes próximas das deliberações em Teerão, citadas pela ‘Bloomberg’, a possibilidade de uma “pausa” nas restrições à circulação marítima está a ser avaliada como forma de evitar uma escalada e criar condições para retomar o diálogo diplomático.
A decisão surge num momento particularmente sensível. A apenas uma semana do fim do cessar-fogo temporário, os Estados Unidos avançaram com o bloqueio de portos iranianos, após o fracasso de uma primeira ronda de negociações no fim de semana.
Teerão respondeu com acusações duras, classificando as restrições à navegação como “pirataria” e alertando que nenhum porto no Golfo estará seguro caso os seus próprios sejam ameaçados. Ainda assim, a eventual flexibilização em Ormuz indica que o regime procura evitar um confronto direto que possa comprometer um acordo.
Mais adiante, o ‘The Independent’ sublinha que esta “pausa” seria um movimento calculado: em vez de aumentar a pressão, o Irão poderá optar por aliviar tensões numa das rotas energéticas mais críticas do mundo, enviando um sinal de abertura à comunidade internacional.
A pressão diplomática intensifica-se. O presidente francês, Emmanuel Macron, revelou ter falado com o líder iraniano, Masoud Pezeshkian, e com o presidente americano, Donald Trump, apelando à retoma urgente das negociações. “O Estreito de Ormuz deve ser reaberto incondicionalmente o mais rapidamente possível”, defendeu, sublinhando a necessidade de evitar qualquer escalada.
Yesterday, I spoke with Iranian President Massoud Pezeshkian, as well as with U.S. President Donald Trump.
I urged the resumption of the negotiations suspended in Islamabad, the clearing up of misunderstandings, and the avoidance of any further escalation.…
Continue a ler após a publicidade— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) April 14, 2026
Também o Paquistão tenta assumir um papel central na mediação. Autoridades em Islamabad propuseram uma segunda ronda de negociações entre Washington e Teerão, com várias fontes a indicarem que os negociadores poderão regressar à capital paquistanesa ainda esta semana.
Apesar do impasse recente, há sinais contraditórios. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, admitiu que as conversações registaram “algum progresso”, enquanto Donald Trump afirmou que o Irão “quer chegar a um acordo”.
Do lado iraniano, a mensagem mantém-se: a diplomacia continua a ser a via preferencial. O presidente Pezeshkian reiterou essa posição junto de Macron, reforçando a ideia de que Teerão está disposto a negociar — desde que as condições o permitam.
No terreno, contudo, a instabilidade permanece elevada. Líbano e Israel preparam negociações diretas inéditas em décadas, enquanto o Hezbollah já avisou que não reconhecerá qualquer acordo que resulte dessas conversações.
Entre ameaças e sinais de abertura, o Estreito de Ormuz volta a assumir um papel central. E desta vez, a estratégia pode passar não por fechar… mas por aliviar a pressão para tentar evitar um novo choque global.




