A cimeira internacional convocada por França e Reino Unido esta sexta-feira vai centrar-se em três eixos críticos: garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, preparar uma missão multinacional de caráter defensivo e evitar uma escalada militar num dos pontos mais sensíveis do comércio global.
Com cerca de 20% a 30% do petróleo e gás mundial a passar por este estreito, qualquer decisão tomada nesta reunião poderá ter impacto direto nos mercados energéticos e na economia global.
Plano multinacional para Ormuz ganha forma
A iniciativa, liderada por Emmanuel Macron e Keir Starmer, pretende avançar com um “plano multinacional, independente e coordenado” para assegurar o transporte marítimo internacional assim que o conflito permitir a reabertura da rota.
A missão será, segundo Paris e Londres, “puramente defensiva” e composta por países não beligerantes, procurando afastar qualquer perceção de alinhamento com os Estados Unidos ou Israel.
O objetivo central não passa por desbloquear o estreito no imediato, mas sim garantir a sua navegabilidade quando as condições de segurança o permitirem.
Mais de 40 países chamados à mesa
O Reino Unido já convocou mais de 40 países interessados em restaurar a liberdade de navegação, embora a lista final de participantes não tenha sido divulgada.
Entre os cenários em cima da mesa está o eventual recurso a um mandato das Nações Unidas ou da União Europeia, bem como a participação de países europeus já envolvidos em missões na região, como Alemanha, Itália, Países Baixos, Grécia ou Portugal.
Há também indicações de que potências como China e Índia foram convidadas, mas a sua presença ainda não está confirmada.
Missão pode incluir escoltas e desminagem
Segundo várias informações, a operação poderá incluir medidas concretas como a retirada de navios atualmente bloqueados, ações de desminagem e o estabelecimento de vigilância regular, com eventual escolta a embarcações comerciais.
Embora classificada como defensiva, a missão poderá implicar o uso de força em caso de ataque, num cenário que continua a levantar dúvidas sobre os seus contornos reais.
Duplo bloqueio agrava tensão global
A cimeira decorre num contexto de elevada tensão, depois de um duplo bloqueio no Estreito de Ormuz.
Por um lado, o Irão condicionou a passagem de navios; por outro, os Estados Unidos avançaram com um bloqueio naval aos portos iranianos, alegando ter “paralisado por completo” o comércio marítimo do país.
Este cenário agravou os receios de uma crise energética global, com impacto imediato nos preços do petróleo e riscos de nova pressão inflacionista.
Europa tenta afirmar via diplomática
A União Europeia tem procurado posicionar-se como um ator de equilíbrio. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, criticou a escalada, defendendo que “um bloqueio não resolve outro bloqueio” e apelando à abertura de canais diplomáticos.
Também a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, defendeu a criação de uma “forte coligação internacional em segurança marítima”, sublinhando a importância de garantir a passagem livre e segura no estreito, em linha com o direito internacional.
Cimeira pode marcar novo equilíbrio geopolítico
A reunião desta sexta-feira poderá definir os contornos de uma nova arquitetura de segurança marítima, numa altura em que a guerra no Médio Oriente já provocou milhares de mortos e fortes perturbações económicas.
Com os mercados energéticos em alerta e a estabilidade global em risco, o desfecho desta iniciativa poderá ser determinante para evitar um agravamento da crise.













