O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que o país dispõe atualmente, “pela primeira vez na sua história”, de capacidade militar suficiente para se defender de ataques russos, destacando o papel transformador da indústria de drones no campo de batalha. As declarações foram feitas a 13 de abril, durante um discurso assinalando o Dia dos Trabalhadores da Indústria de Armamento, segundo informação divulgada pela presidência ucraniana.
Durante a cerimónia, vários profissionais do setor da defesa foram distinguidos com condecorações estatais, incluindo Ordens de Mérito de primeiro e terceiro graus – uma atribuída a título póstumo, bem como medalhas “Por Trabalho e Valor” e o título honorífico de Engenheiro Mecânico Distinto da Ucrânia.
Zelensky sublinhou que a evolução tecnológica, em particular no domínio dos drones, alterou profundamente a forma como a guerra é conduzida. “Hoje, os nossos ataques em profundidade já não são uma sensação, embora continuem a ser notícias muito justas e muito agradáveis. Hoje, os drones ucranianos mudaram fundamentalmente as abordagens à guerra”, afirmou.
O Presidente estabeleceu um contraste com as fases iniciais do conflito, quando o volume de artilharia era determinante para os resultados no terreno. Atualmente, segundo disse, o desenrolar das operações depende sobretudo da coragem da infantaria e da escala de utilização de drones.
Para além destes sistemas aéreos não tripulados, a Ucrânia tem vindo também a desenvolver sistemas robóticos terrestres e capacidades próprias de guerra eletrónica, que estão a ganhar relevância crescente na linha da frente.
Outro dos pontos centrais do discurso foi a necessidade de reforçar a defesa aérea, em particular no que diz respeito à interceção de mísseis balísticos. Zelensky considerou esta área como uma prioridade absoluta.
“A tarefa incondicional é termos a nossa própria defesa aérea capaz de combater ameaças balísticas. Muitos países europeus estão agora a pensar nisso, e é importante perceber quem conseguirá fazê-lo primeiro, sozinho ou em conjunto com parceiros. A Ucrânia pode ser esse líder”, declarou.
Zelensky revelou ainda que vários países demonstraram interesse nas capacidades militares ucranianas, incluindo na Europa, Médio Oriente, Golfo, Ásia e África. Nesse contexto, Kiev está a desenvolver mecanismos para responder a essa procura, apostando num modelo de exportação baseado em acordos entre governos.
“Estamos a seguir um modelo compreendido por muitos Estados, especialmente os mais conservadores nos seus acordos. Eles entendem o que é um acordo G2G, ou seja, de governo para governo. Ao nível governamental há maior confiança”, explicou.
Segundo o Presidente, após o estabelecimento destes acordos intergovernamentais, seguem-se contratos comerciais entre empresas, sejam públicas ou privadas.
Zelensky destacou também os avanços alcançados pela indústria de defesa ucraniana, afirmando que o país atingiu um “nível elevado” na produção de mísseis. Para além disso, a Ucrânia está a desenvolver software militar, veículos blindados e sistemas de artilharia.
O chefe de Estado sublinhou que o contexto de guerra tem acelerado significativamente a inovação tecnológica e apelou às empresas do setor para continuarem a apresentar novas soluções. Entre os pilares estratégicos identificados estão a modernização constante das linhas de produção e a adaptação contínua às exigências do campo de batalha.













