O “efeito Magyar” explicado: porque está a Hungria a atrair investidores novamente?

A vitória eleitoral de Péter Magyar marca um ponto de viragem na Hungria, ao pôr fim a 16 anos de governação de Viktor Orbán e abrir caminho a uma nova fase política e económica no país.

André Manuel Mendes

A vitória eleitoral de Péter Magyar marca um ponto de viragem na Hungria, ao pôr fim a 16 anos de governação de Viktor Orbán e abrir caminho a uma nova fase política e económica no país. Liderado pelo Partido Tisza, o novo executivo poderá alcançar uma maioria constitucional qualificada, garantindo margem para uma reforma profunda do Estado.

Para os mercados, o resultado eleitoral surge como um sinal claro de mudança. Após anos em que a Hungria esteve “subponderada” nas carteiras internacionais, os investidores começam a regressar, antecipando uma maior estabilidade política e uma reaproximação a União Europeia.

A reação foi imediata nos mercados cambiais, como explicam os analistas da XTB. O forint valorizou-se de forma significativa face ao dólar e ao euro, destacando-se como uma das moedas mais fortes dos últimos 12 meses. O par USD/HUF registou uma queda próxima dos 2%, enquanto a moeda húngara ganha terreno face a outras divisas da região, como o zloty polaco ou a coroa checa.

Apesar deste desempenho recente, o histórico da moeda sugere margem adicional de valorização. Num relatório recente, a Morgan Stanley antecipa um aumento da procura por obrigações húngaras, o que deverá reforçar ainda mais o forint e permitir um ambiente de política monetária menos restritivo, favorecendo a recuperação económica.

As perspetivas a médio prazo também são positivas. Após anos marcados por tensões com Bruxelas, fragilidades energéticas e políticas económicas pouco convencionais, um regresso à estabilidade poderá traduzir-se numa valorização adicional entre 5% e 7% nos próximos anos. Ao mesmo tempo, a redução do risco político deverá levar a uma descida da curva de rendimentos entre 100 e 150 pontos base, tornando o país mais atrativo para o capital estrangeiro.

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Outro fator determinante será o desbloqueio de fundos europeus. De acordo com os analistas da xtb, O acesso ao Mecanismo de Recuperação e Resiliência e aos fundos de coesão poderá acrescentar entre 1 e 1,5 pontos percentuais ao crescimento do PIB húngaro, segundo estimativas da Morgan Stanley.

A nova conjuntura poderá ainda permitir mudanças estruturais na economia. Entre as medidas esperadas estão o fim dos impostos extraordinários sobre setores como banca, retalho e energia — introduzidos durante o governo de Orbán — e uma maior aposta no investimento, nomeadamente em infraestruturas e na transição energética.

No plano geopolítico, a mudança também é significativa. Magyar já sinalizou o regresso à “família europeia”, o que poderá traduzir-se no fim do bloqueio húngaro ao apoio europeu à Ucrânia e numa maior convergência com as posições da UE e da NATO. Ainda assim, no que diz respeito à dependência energética da Rússia, a transição deverá ser gradual, dada a forte ligação do país às infraestruturas existentes.

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Nos mercados, o impacto já se faz sentir. O par EUR/HUF caiu para cerca de 366, o nível mais baixo desde abril de 2022. Uma valorização adicional de 5% poderá levar a moeda a testar a fasquia dos 350, um patamar que não é observado desde 2021, reforçando o potencial de recuperação sustentada da economia húngara.

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