A escalada verbal entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder da Igreja Católica, Papa Leão XIV, está a gerar uma onda de indignação internacional, depois de um ataque frontal do chefe de Estado ao pontífice — acompanhado por uma comparação polémica com Jesus Cristo.
A notícia foi avançada pelo ‘The Independent’, que relata que Trump classificou o Papa como “fraco” na criminalidade e “terrível” em política externa, numa publicação extensa nas redes sociais, surgida após semanas de tensão em torno da guerra no Médio Oriente.
Críticas ao Papa e comparação com Cristo geram revolta
A polémica intensificou-se quando o presidente partilhou uma imagem gerada por inteligência artificial onde surge representado como Jesus Cristo. A reação foi imediata — tanto entre católicos como dentro do próprio campo político de Trump.
Com cerca de 1,4 mil milhões de fiéis em todo o mundo, o Papa Leão XIV — o primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos — tem assumido uma posição crítica face à escalada militar envolvendo o Irão. O líder religioso prometeu continuar a “falar alto contra a guerra”, alertando para o uso abusivo da mensagem cristã em contextos de conflito.
Mais adiante, o ‘The Independent’ sublinha que até o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, condenou publicamente o gesto de Trump, classificando-o como um insulto inaceitável à figura de Cristo e ao próprio Papa.
Divisão dentro do universo MAGA
A controvérsia não ficou confinada ao plano internacional. Também dentro do universo político que apoia Trump surgiram críticas duras. A congressista Marjorie Taylor Greene, habitualmente alinhada com o presidente, considerou a publicação “mais do que blasfémia”, falando mesmo num “espírito de anticristo”.
Outras figuras conservadoras, como Riley Gaines, questionaram abertamente as motivações de Trump, defendendo que “um pouco de humildade” seria necessário.
No campo religioso, vozes influentes também se manifestaram. O bispo Robert Barron classificou os comentários como “totalmente inapropriados e desrespeitosos”, enquanto o arcebispo Paul S. Coakley lembrou que o Papa “não é um rival político”, mas sim uma autoridade espiritual.
Relação tensa com o Vaticano não é nova
A tensão entre Trump e o Vaticano não começou agora. Durante o pontificado de Papa Francisco, já tinham existido confrontos públicos, nomeadamente sobre políticas migratórias, com o então Papa a sugerir que Trump “não era cristão”.
Agora, analistas como Massimo Faggioli consideram que este novo episódio elimina qualquer ambiguidade na relação entre a administração americana e a Igreja Católica, sublinhando o carácter inédito da agressividade.
Massimo Faggioli, historiador italiano e especialista no Vaticano, considera que este episódio marca um ponto de rutura sem precedentes, sublinhando que nem figuras como Hitler ou Mussolini atacaram o Papa de forma tão direta e pública.
Guerra no Médio Oriente no centro do conflito
No centro desta escalada está a guerra com o Irão, que tem dividido posições entre Washington e o Vaticano. Trump chegou mesmo a ameaçar destruir infraestruturas iranianas caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto, numa retórica que o Papa criticou duramente, classificando o conflito como “atroz”.
O presidente americano, por seu lado, acusa o pontífice de ser “muito liberal” e de adotar posições que, na sua visão, fragilizam a resposta a países com ambições nucleares.






