A forma de medir o poder económico global pode estar prestes a mudar. Na era da inteligência artificial, começa a ganhar força um novo conceito: o “Gross Domestic Intelligence” (GDI), ou Produto Interno de Inteligência.
A ideia, destacada pelo ‘Business Insider’ com base numa análise da Morgan Stanley, propõe avaliar não apenas a produção económica de um país, mas também os seus recursos em inteligência artificial — desde chips avançados e centros de dados até infraestruturas de computação.
Na prática, o GDI mede quem tem acesso à capacidade computacional necessária para treinar e operar modelos de IA em grande escala. E os dados mais recentes mostram uma realidade clara: a liderança está fortemente concentrada.
Estimativas da Epoch AI indicam que os Estados Unidos concentram cerca de 75% da capacidade global de computação em IA. A China surge muito atrás, com cerca de 10%, enquanto a Europa aparece ainda mais distante. Este desequilíbrio reflete não só investimento, mas também controlo tecnológico.
Ao nível empresarial, o domínio é ainda mais evidente. Empresas como a Google lideram destacadamente, combinando chips próprios (TPU) com grandes quantidades de GPUs da Nvidia. Outras gigantes americanas — Microsoft, Amazon e Meta — seguem no topo, consolidando uma supremacia quase total.
Segundo os mesmos dados, a capacidade de computação em IA da China equivale, aproximadamente, à de uma única empresa como a Oracle. Um sinal claro da diferença de escala que marca esta nova corrida tecnológica.
O conceito de GDI surge, assim, como uma ferramenta potencial para investidores avaliarem a competitividade de países e setores. Mais do que PIB, poderá passar a contar quem tem mais “poder de cálculo” — um recurso cada vez mais central na economia digital.
Esta mudança de paradigma levanta também questões estratégicas. Num mundo onde a inteligência artificial se torna motor de crescimento, inovação e influência geopolítica, o acesso a infraestruturas críticas pode definir vencedores e perdedores.
No fundo, a economia global pode estar a entrar numa nova fase — onde riqueza já não se mede apenas em produção, mas também em capacidade de pensar, processar e antecipar.














