A Comissão Europeia prepara uma nova resposta de emergência à crise energética, numa altura em que o impacto do conflito no Golfo e o bloqueio do Estreito de Ormuz continuam a pressionar os mercados e a economia europeia.
De acordo com o ’20 Minutos’, Ursula von der Leyen anunciou que Bruxelas irá apresentar já na próxima semana um pacote de medidas de auxílio estatal, inspirado na resposta adotada nos primeiros meses da guerra na Ucrânia. O objetivo passa por dar margem aos Estados-membros para apoiar setores mais vulneráveis, mantendo, ainda assim, uma coordenação a nível europeu.
A decisão surge num momento em que os custos energéticos voltaram a disparar. Em apenas 44 dias de guerra, a União Europeia gastou mais 22 mil milhões de euros em combustíveis fósseis, sem garantir qualquer aumento no fornecimento. Para Von der Leyen, este dado evidencia o impacto direto da crise na economia europeia e a persistência das perturbações, mesmo que o conflito abrande.
Face a este cenário, Bruxelas aposta numa estratégia de coordenação para evitar erros do passado. Entre as medidas em cima da mesa está a gestão conjunta das reservas de gás antes do próximo inverno, de forma a impedir que vários países entrem simultaneamente no mercado e façam disparar ainda mais os preços.
A Comissão admite também recorrer à libertação coordenada de reservas de petróleo, caso a situação se agrave, e pretende avançar com iniciativas para reduzir a procura de energia, nomeadamente através da renovação de edifícios e da modernização de equipamentos industriais.
Ao mesmo tempo, Bruxelas mantém uma linha de prudência em relação às respostas nacionais. A redução de impostos sobre combustíveis — como aconteceu em Espanha — não é rejeitada, mas deverá ser temporária e equilibrada, para evitar riscos adicionais, como o agravamento do défice ou um cenário de estagflação.
O bloqueio do Estreito de Ormuz surge como um dos principais fatores de preocupação. Von der Leyen classificou a situação como “extremamente prejudicial” e defendeu que qualquer solução terá de garantir a liberdade de navegação, ao mesmo tempo que aborda questões mais amplas, como os programas nucleares e de mísseis do Irão.
No plano internacional, cresce a pressão diplomática. O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou a realização de uma conferência internacional nos próximos dias, em conjunto com o Reino Unido, com o objetivo de criar uma missão multinacional que permita restabelecer a circulação no estreito.
A iniciativa surge após o ultimato dos Estados Unidos para que os aliados europeus apresentem soluções, numa altura em que Washington avança com medidas próprias para controlar o tráfego marítimo na região. Ainda assim, Londres e Paris têm procurado distanciar-se de uma escalada militar, privilegiando uma resposta coordenada e diplomática.
Num contexto de elevada incerteza, a União Europeia volta assim a testar a sua capacidade de resposta conjunta. A prioridade é clara: evitar uma nova crise energética profunda — mas também garantir que as soluções de curto prazo não comprometem os objetivos económicos e climáticos de longo prazo.






