“Russos, voltem para casa”: Hungria celebra fim da era Orbán com grito histórico

Expressão remonta à ocupação soviética no pós-II Guerra Mundial e ganhou especial relevância durante a Revolução de 1956, quando a população se levantou contra o regime apoiado por Moscovo

Francisco Laranjeira

“Russos, voltem para casa.” O grito ecoou no metro de Budapeste e rapidamente se transformou num símbolo do momento político que a Hungria atravessa. Após a vitória eleitoral de Péter Magyar sobre Viktor Orbán, um vídeo gravado na capital húngara tornou-se viral, captando a euforia de dezenas de cidadãos que celebravam o fim de 16 anos de poder.

O slogan — “Ruszkik haza” — não é novo, mas o seu regresso carrega um forte peso histórico. A expressão remonta à ocupação soviética no pós-II Guerra Mundial e ganhou especial relevância durante a Revolução de 1956, quando a população se levantou contra o regime apoiado por Moscovo. A repressão violenta por parte do exército soviético transformou a frase num símbolo duradouro de resistência e soberania nacional.

No vídeo, que rapidamente ultrapassou um milhão de visualizações na rede social ‘X’, um grupo de jovens e adultos entoa o cântico enquanto sobe as escadas rolantes de uma estação de metro em Budapeste. Alguns acompanham com palmas, outros com bandeiras improvisadas, num contraste evidente com os últimos anos, marcados por uma relação ambígua entre o Governo de Orbán e a Rússia, sobretudo após o início da guerra na Ucrânia.

A vitória de Péter Magyar é interpretada como um ponto de viragem não apenas interno, mas também geopolítico. O novo líder, que emergiu do próprio sistema político húngaro, construiu a sua campanha com base na promessa de romper com o isolamento em Bruxelas e normalizar as relações com a União Europeia.

O resultado eleitoral é visto, dentro e fora da Hungria, como o fim de uma era em que o país assumia frequentemente uma posição dissonante no bloco europeu, em particular devido à proximidade de Orbán a Moscovo. O regresso de slogans como “Ruszkik haza” sugere que essa mudança poderá ser mais profunda do que um simples ciclo político — refletindo uma reorientação estratégica e simbólica da Hungria no contexto europeu.

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Num momento em que a guerra na Ucrânia continua a redefinir equilíbrios no continente, o sinal vindo de Budapeste é claro: a história pesa — e, por vezes, regressa com força inesperada.

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