A missão Artemis II entra nas horas decisivas depois de dez dias que já fizeram história. A cápsula Orion, com quatro astronautas a bordo, prepara-se para a reentrada na atmosfera terrestre a cerca de 40.000 km/h — o momento mais arriscado de toda a viagem, que deverá culminar com a aterragem no Oceano Pacífico.
Depois de baterem o recorde de maior distância alguma vez percorrida por humanos no espaço — mais de 406 mil quilómetros da Terra — e de testemunharem imagens inéditas da Lua, a prioridade da tripulação deixou de ser científica: agora, o objetivo é regressar em segurança.
Margem mínima entre sucesso e desastre
A reentrada atmosférica exige uma precisão extrema. A cápsula terá de entrar na atmosfera com um ângulo entre 5 e 7 graus — uma margem mínima que separa uma aterragem segura de um cenário catastrófico.
Se o ângulo for demasiado acentuado, o calor e as forças G poderão ultrapassar os limites da nave. Se for demasiado suave, a Orion pode “saltar” na atmosfera e regressar ao espaço de forma descontrolada.
A partir deste ponto, a intervenção humana é limitada. O sucesso dependerá sobretudo do sistema automático de navegação, do escudo térmico e dos paraquedas.
Escudo térmico sob teste extremo
Durante a reentrada, a fricção com a atmosfera criará um invólucro de plasma incandescente à volta da cápsula, interrompendo as comunicações durante vários segundos — um momento crítico para as equipas em Terra.
O escudo térmico, composto por materiais ablativos desenvolvidos desde a era Apollo, será a principal defesa contra temperaturas extremas. Está concebido para se degradar de forma controlada, dissipando o calor sem comprometer a estrutura da nave.
Apesar das condições externas, a temperatura no interior da cápsula deverá manter-se próxima dos 25 graus Celsius. O maior impacto para os astronautas será o aumento brusco da gravidade, que os pressionará contra os assentos.
Paraquedas e impacto no Pacífico
À medida que a velocidade diminui, entra em ação o sistema de paraquedas. Primeiro, são acionados paraquedas piloto, seguidos de sistemas de travagem e, por fim, três paraquedas principais com cerca de 35 metros de diâmetro cada.
Esta sequência permitirá reduzir a velocidade para cerca de 30 km/h antes do impacto com o oceano, ao largo da Califórnia.
Mesmo assim, o contacto com o mar continua a ser um momento delicado, dependente das condições atmosféricas e da orientação da cápsula.
Operação de resgate pronta
Equipas da Marinha dos Estados Unidos já estão posicionadas na zona de amerissagem, com helicópteros, mergulhadores e embarcações rápidas preparados para intervir.
Após a aterragem, os astronautas serão retirados da cápsula e submetidos a avaliações médicas iniciais, antes de regressarem a Houston.
Missão abre caminho para regresso à Lua
A Artemis II marca o regresso de humanos à órbita lunar mais de 50 anos depois da missão Apollo 17 e é um passo essencial para futuras missões.
O objetivo da NASA passa por voltar a colocar astronautas na superfície da Lua até ao final da década e preparar uma presença permanente a partir de 2030, numa corrida estratégica com a China.














