Ex-oligarca russo lança aviso à Europa: “Pode enfrentar uma armada russo-ucraniana”

ikhail Khodorkovsky deixa um aviso claro: se o apoio ocidental à Ucrânia falhar, o cenário pode tornar-se muito mais perigoso do que o atual

Francisco Laranjeira

A possibilidade de uma reconfiguração geopolítica na Europa está a ganhar força — e o alerta vem de dentro do próprio sistema russo. Numa entrevista ao ‘El Confidencial’, o antigo oligarca Mikhail Khodorkovsky – em 2003 era o homem mais rico da Rússia e um dos mais ricos do mundo. Chefiava a gigante petrolífera Yukos e o lobby mais poderoso do país, a União Russa de Industriais e Empresários – deixa um aviso claro: se o apoio ocidental à Ucrânia falhar, o cenário pode tornar-se muito mais perigoso do que o atual.

A ideia central é tão provocadora quanto inquietante: caso a Ucrânia se sinta abandonada pela Europa e pelos Estados Unidos, poderá acabar por integrar — ainda que por necessidade — a máquina militar russa.

“Se a Ucrânia se sentir traída, a Europa enfrentará uma armada conjunta russo-ucraniana”, afirma Khodorkovsky, sublinhando que milhões de ucranianos vivem já em territórios controlados por Rússia ou no próprio país.

Segundo o antigo magnata, Vladimir Putin poderá aproveitar um eventual colapso do apoio ocidental para recrutar centenas de milhares de combatentes ucranianos, criando uma força militar significativamente mais robusta.

Guerra longe do fim — e sem colapso à vista

Continue a ler após a publicidade

Khodorkovsky rejeita a ideia de que a Rússia esteja perto de um colapso económico ou militar. Apesar das sanções, a economia mantém-se relativamente estável, com défices controlados e apoio indireto da China.

O esforço de guerra, estima, ronda cerca de 6% do PIB — muito abaixo dos níveis da antiga União Soviética — o que permite a Moscovo sustentar o conflito durante vários anos.

Apenas uma minoria é verdadeiramente “militarista”

Continue a ler após a publicidade

Outro ponto relevante da análise prende-se com a sociedade russa. Segundo dados cruzados, apenas cerca de 14% da população apoia de forma consistente a guerra, os gastos militares e a continuação do conflito até à vitória.

A maioria — cerca de 70% — posiciona-se de forma pragmática, movida sobretudo pelo medo: do regime, mas também do Ocidente.

Europa perante uma escolha estratégica

Para Khodorkovsky, o futuro da Europa depende de uma decisão clara: ou aceita perder influência para Moscovo, ou reforça significativamente a sua capacidade militar.

O ex-oligarca defende que os países europeus deveriam investir entre 4% e 4,5% do PIB em defesa durante um período prolongado, para garantir capacidade dissuasora face à Rússia.

Continue a ler após a publicidade

Putin não quer território — quer influência

Ao contrário do que muitos analistas defendem, Khodorkovsky acredita que Putin não procura expandir fronteiras físicas na União Europeia, mas sim controlar o espaço político europeu e enfraquecer a sua coesão.

Nesse cenário, a guerra na Ucrânia assume um papel central: não apenas como conflito territorial, mas como instrumento estratégico para redefinir o equilíbrio de poder no continente.

A análise surge num momento em que o apoio ocidental à Ucrânia enfrenta dúvidas e pressões políticas. Para Khodorkovsky, qualquer sinal de hesitação pode ter consequências profundas — não apenas para Kiev, mas para toda a arquitetura de segurança europeia.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.