A três dias de eleições decisivas na Hungria, novas revelações estão a aumentar a tensão entre Comissão Europeia e o Governo de Viktor Orbán, num caso que poderá ter implicações diretas na segurança da União Europeia.
De acordo com o jornal espanhol ‘El Español’, o executivo liderado por Ursula von der Leyen endureceu o discurso após surgirem indícios de que Budapeste terá partilhado informações sensíveis com Vladimir Putin. Em causa está uma gravação na qual o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, se mostra disponível para enviar a Sergey Lavrov documentos internos sobre as negociações de adesão da Ucrânia à União Europeia.
“Enviarei para si, sem problema… sempre que precisar de alguma coisa, estou à sua disposição”, terá dito Szijjártó na conversa divulgada por um consórcio de investigação liderado pela VSquare.
Bruxelas reage: “Extremamente preocupante”
A reação de Bruxelas não tardou. A porta-voz da Comissão, Paula Pinho, sublinhou que as alegações levantam sérias dúvidas sobre a lealdade de um Estado-membro.
“Isto é extremamente preocupante e é imperativo que o Governo em causa dê explicações com urgência”, afirmou, acrescentando que o tema deverá chegar ao mais alto nível político na próxima cimeira europeia, marcada para 23 e 24 de abril em Nicósia.
Apesar da gravidade das revelações, vários líderes europeus têm optado por um tom cauteloso — uma estratégia interpretada como tentativa de não interferir nas eleições de 12 de abril, nas quais o opositor Péter Magyar surge como favorito.
Silêncio europeu e críticas isoladas
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, limitou-se a uma declaração breve, mas carregada de significado: “Os ministros europeus devem trabalhar para a Europa, não para a Rússia.”
Também a visita do vice-presidente dos EUA, JD Vance, a Budapeste para apoiar Orbán gerou polémica, sobretudo depois de acusar os “burocratas da UE” de interferência no processo eleitoral.
Entre as vozes mais críticas destaca-se o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, que considerou as revelações “verdadeiramente ultrajantes”, acusando diretamente o Governo húngaro de se disponibilizar para transmitir documentos europeus à Rússia.
“Cavalo de Troia” no coração da UE?
Segundo o ‘El Español’, as gravações reforçam a ideia, já partilhada por vários responsáveis europeus, de que Orbán funciona como um “cavalo de Troia” do Kremlin dentro da União Europeia.
O primeiro-ministro húngaro tem bloqueado decisões-chave, incluindo um empréstimo de 90 mil milhões de euros para apoiar Kiev e um novo pacote de sanções contra Moscovo — medidas consideradas essenciais por Bruxelas no contexto da guerra.
Com todas as sondagens a apontarem para uma possível vitória da oposição, os líderes europeus aguardam com expectativa o desfecho das eleições. Um afastamento de Orbán poderá desbloquear decisões críticas; uma vitória do atual primeiro-ministro, pelo contrário, poderá agravar ainda mais as divisões internas na União Europeia.














