A pandemia está a criar novos pobres. Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, admitiu, em declarações à “TSF” que nunca viu nada «com esta brutalidade» e que os pedidos de ajuda vêm de pessoas com vários contextos profissionais, desde cabeleireiros a esteticistas, fisioterapeutas e dentistas.
A representante do Banco Alimentar Contra a Fome reiterou: «Estou há muitos anos no Banco Alimentar e nunca vi nada com esta brutalidade». «Estamos a falar de profissões normais, como fisioterapeutas, instrutores do ginásio, condutores de tuk-tuk, feirantes, funcionários de manicure, cabeleireiros e empregados de café. São profissões normais que, neste momento, não têm capacidade de poder continuar, o que fez com que estas pessoas não tenham salário ou remuneração», sublinhou.
Isabel Jonet disse que há pessoas que se encontram em situações «muito fragilizadas». Ao todo, já chegaram ao Banco Alimentar 11.500 pedidos de apoio, referentes a 11.500 famílias. Jonet estima que estes pedidos de ajuda se destinem a «mais de 55 mil pessoas», sendo que «às vezes há agregados de oito pessoas que vivem juntas e partilham a casa», fez notar. «Há muitos brasileiros nesta situação. Temos procurado conhecer estas pessoas precisamente para saber qual é o tamanho do agregado, mas também por que é que estão de repente nesta situação, para compreender se, depois de dada a ajuda alimentar, é possível dar outro tipo de ajuda, encaminhando», explicou.
A presidente do Banco Alimentar considerou, ainda, que «enquanto não reabrirem as creches, os infantários e as escolas, estas pessoas não têm possibilidades de voltar ao trabalho e estão bloqueadas, continuarão sem remuneração».
Isabel Jonet deixou um apelo: «Abrimos o canal online (www.alimentestaideia.pt) e fazemos este apelo a todos os portugueses, seja na sua actividade profissional, seja a título pessoal, para que não se esqueçam de que muitas pessoas não têm como alimentar os filhos». «Começa a haver situações de fome. Há muitos anos que isto não acontecia: temos tido pessoas a ir diretamente ao armazém do Banco Alimentar a pedir ajuda desesperada. Tivemos de montar um gabinete com psicóloga para as acalmar e orientar», relatou, acrescentando que estes alimentos são encaminhados para instituições.
A nível global, segundo um balanço da agência de notícias “France-Presse”, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 204 mil mortos e infectou mais de 2,9 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Perto de 800 mil doentes foram considerados curados.
Em Portugal morreram 903 pessoas das 23.864 confirmadas como infectadas, e há 1.329 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.






