Celebração do 25 de Abril no Parlamento em 23 frases: de Marcelo a Ventura

Eduardo Ferro Rodrigues, presidente deste órgão, inaugurou um rol de intervenções dos vários partidos com assento no Parlamento, a que se seguiu um discurso de Marcelo Rebelo de Sousa.

Executive Digest

Realizou-se esta manhã, na Assembleia da República, a Sessão Solene Comemorativa do 46.º Aniversário do 25 de Abril de 1974. Eduardo Ferro Rodrigues, presidente deste órgão, inaugurou um rol de intervenções dos vários partidos com assento no Parlamento, a que se seguiu um discurso de Marcelo Rebelo de Sousa. Entre as várias considerações, destacam-se 23 frases:

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República

  • “O que seria verdadeiramente incompreensível e civicamente vergonhoso era haver todo um país a viver este tempo de sacrifício e de entrega e a Assembleia da República demitir-se de exercer todos os seus poderes numa situação em que eles eram e são mais do que nunca imprescindíveis. E também nesta sessão, que sempre foi e será um momento crucial de controlo crítico e plural em liberdade e democracia – porque são esses os valores de Abril”;

 

  • “É precisamente em tempos excecionais que se impõe evocar o que constitui mais do que um costume ou um ritual, o que é manifestamente essencial”;

 

  • “Todos nós percebemos que todo o mundo vai passar um período difícil. E nós não vivemos fora do mundo: vivemos na Europa e no mundo. Se os países riquíssimos da Europa estão a passar e vão passar um período difícil, países riquíssimos do mundo e as superpotências, vão passar um período difícil, é óbvio que é um problema que tem a ver com Portugal”

 

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Eduarrdo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República

  • “Pior está a democracia quando o escrutínio é feito com base em calúnias, em mentiras, em falsidades. Em campanhas de desinformação que apenas visam denegrir as Instituições, os seus representantes e, em última análise, a democracia. Não é isto o escrutinar a democracia: isto é a democracia a ser atacada”;

 

  • “Contra todas as expectativas, contra muitos que pensavam nunca tal poder acontecer,  [os portugueses] foram capazes de ultrapassar bloqueios e encontrar soluções capazes de recuperar o país da profunda crise – até mesmo de identidade e de valores – em que se encontrava, depois de um período tão difícil e complexo como foi o período de assistência financeira, com profundos impactos na pobreza e na exclusão social”;

 

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  • “De uma coisa estou certo: Portugal e os portugueses estão vacinados contra a austeridade. Resta saber se a vacina tem 100% de eficácia”;

 

Ana Catarina Mendes, líder parlamentar do PS

  • “Um parlamento que se deixasse sequestrar pela demagogia estaria a defraudar Abril, tal como defraudaria Abril um parlamento fechado sobre si mesmo. Ter um parlamento forte é cumprir Abril”;

 

  • “Garantimos, na emergência, o papel do parlamento no equilíbrio de poderes que garante o Estado de direito. Um parlamento que nunca interrompeu o seu funcionamento e que não foi suspenso pela emergência”;

 

  • “Hoje, estamos aqui, nesta como nas outras sessões, no nosso posto”;

 

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Rui Rio, presidente do PSD

  • “Portugal não tem a democracia suspensa”;

 

  • “Mais importante do que planear a presença de governantes nos jornais e nas televisões para publicitarem, a toda a hora, o que fizeram e o que não fizeram, é planear a resposta do país a uma eventual segunda ronda da covid-19”;

 

  • “Impõe-se que o país se prepare para esta  eventualidade, porque a economia portuguesa não resistirá a uma nova paragem idêntica àquela que estamos a viver”;

 

  • “As falhas que da primeira vez existiram não poderão ser repetidas”.

 

Moisés Ferreira, deputado do Bloco de Esquerda

  • “Hoje podemos confirmar que Abril é que combate a epidemia, não é a epidemia que combate Abril”

 

  • “Aprendemos que em situações de emergência de saúde pública é o nosso SNS – aquele que é público, universal, geral e gratuito – que nos salva e protege. Não são os privados que fazem da saúde uma mercadoria, os que fecharam portas ou que viam na epidemia mais uma oportunidade de negócio”

 

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP

  • “Em nenhum momento difícil da nossa vida coletiva, mesmo enfrentando as maiores dificuldades e transportando as mais densas inquietações podemos deixar de viver e celebrar Abril. E se há momento em que o 25 de Abril não pode ser apagado é este”;

 

  • “Os que há pouco diziam que vivíamos acima das nossas possibilidades, estão de volta empolando dificuldades reais. Regressaram a debitar as suas velhas receitas agigantando catastróficos cenários, para justificar o aprofundamento da exploração. Ei-los ensaiando o discurso da inevitabilidade do corte dos salários, das pensões e dos direitos e a pensar manter intocáveis os seus instrumentos de exploração”;

 

Telmo Correia, líder parlamentar do CDS

  • “O CDS é um dos quatro partidos históricos da nossa democracia e a voz representativa da democracia cristã, neste hemiciclo, desde as primeiras eleições livres. Não aceitamos lições de democracia de ninguém”;

 

  • “Com esta cerimónia, em estado de emergência, o que o poder político está a dizer é que permite para si mesmo aquilo que proibiu aos portugueses e que não respeita para si próprio o que exigiu ao povo, isolamento e confinamento”;

 

Inês de Sousa Real, íder parlamentar do PAN

  • “À democracia, de pouco ou nada servirão cerimónias e demais simbologias, que se mostrem alheadas das aspirações e preocupações das pessoas e muito menos das consequências da atual crise sanitária, económica, social e ambiental, ditada por uma doença silenciosa e desconhecida”;

 

José Luís Ferreira, deputado do PEV

  • “Enquanto ecologistas, o que esperamos é que “depois do Adeus”, isto é, depois de se achatar a curva desta pandemia, que nos viremos para outros achatamentos e para outras curvas. Porque é preciso achatar a curva das desigualdades”;

 

André Ventura, deputado do Chega

  • “Hoje celebramos o fim de uma ditadura e o início de um regime democrático mas, porque não dizê-lo, precisamos de outro, precisamos de outro”;

 

João Cotrim Figueiredo, deputado da Iniciativa Liberal

  • “Se resistirmos aos conformismos e aos falsos unanimismos, se não deixarmos que o Estado se confunda com um partido, se a crítica e a diferença forem vistas como a força que são, se não dermos espaço ao oportunismo nem à intriga, os portugueses, repito, serão tão bons como os melhores e mais livres do que nunca”.

 

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