Número de insectos regista uma queda global de 25% nos últimos 30 anos

O número de insectos no mundo registou uma queda de 25% nos últimos 30 anos, de acordo com um estudo realizado por uma equipa de cientistas que ficou chocada com os resultados apresentados.

Simone Silva

O número de insectos no mundo registou uma queda de 25% nos últimos 30 anos, de acordo com um estudo realizado por um equipa de cientistas que ficou chocada com os resultados apresentados, avança o ‘The Guardian’.

O estudo juntou 166 investigações a longo prazo de quase 1.700 locais e descobriu que algumas espécies estavam a contrariar a tendência geral de queda. Em particular, os insectos de água doce registaram um aumento de 11% a cada década, após acções para limpeza de rios e lagos poluídos. No entanto, este grupo representa apenas cerca de 10% das espécies de insectos e não poliniza as culturas.

Os investigadores disseram que os insectos continuam a ser pouco estudados em muitas regiões, com poucos ou nenhuns dados da América do Sul, sul da Ásia e África. A rápida destruição de habitats selvagens nesses locais para agricultura e urbanização provavelmente vai reduzir significativamente as populações de insectos, segundo os especialistas.

Os insectos são de longe os animais mais variados e abundantes, superando a humanidade em 17 vezes e são essenciais para os ecossistemas dos quais a humanidade depende, uma vez que polinizam plantas, servem de alimento para outras criaturas e reciclam os resíduos da natureza.

A maior avaliação anterior, baseada em 73 estudos, levou os cientistas a alertar sobre as «consequências catastróficas para a sobrevivência da humanidade» se as perdas de insectos não fossem interrompidas. A sua taxa de declínio foi estimada em mais do que o dobro do que no novo estudo. Outros especialistas estimam que 50% dos insectos entraram em extinção nos últimos 50 anos.

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A pesquisa, publicada na revista Science, também analisou a forma como a taxa de extinção estava a mudar ao longo do tempo. «A Europa parece estar a piorar agora, um facto impressionante e chocante. O porquê, não sabemos», disse Roel van Klink, co-autor do estudo. Na América do Norte, o declínio estão a achatar-se.

«Sabemos pelos nossos resultados que a expansão das cidades é prejudicial para os insectos, porque o habitat devia ser mais natural», disse van Klink. «Isto está a acontecer no leste da Ásia e na África a um ritmo acelerado. Na América do Sul, há a destruição da Amazónia. Não há dúvida de que isto faz mal aos insectos e a todos os outros animais. Mas nós simplesmente não temos os dados», refere.

As perdas de insectos são causadas pela destruição de habitats, pesticidas e poluição. O impacto da crise climática não foi claro no estudo, apesar de exemplos locais óbvios. Van Klink disse que as alterações de temperatura e a chuva podem prejudicar algumas espécies e, simultâneamente, impulsionar outras, no mesmo local.

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