O Ministério da Saúde suspendeu quase meio milhão de consultas e nove mil cirurgias desde 16 de Março, avança o “Correio da Manhã” (CM), que teve acesso a dados da tutela.
De acordo com o “CM”, foram também canceladas 300 mil consultas pelos centros de saúde. Nos hospitais foram 180 mil.
Em declarações ao “CM”, o Sindicato Independente dos Médicos defendeu que o Serviço Nacional de Saúde será obrigado a mobilizar meios externos para conciliar o combate ao novo coronavírus com a recuperação de consultas e cirurgias atrasadas. «Só para os 32 mil casos de Covid-19 em vigilância, aos quais os médicos têm de ligar, são nove mil horas de trabalho por dia. Vai ser muito difícil fazer isto e recuperar actos médicos que ficaram para trás sem o apoio do sector privado e social», diz Jorge Roque da Cunha, que defende «a requisição civil dos médicos do SAMS, entidade que deixou 90 mil pessoas sem cobertura».
Esta situação também está a afectar doentes oncológicos. «Houve e continua a haver adiamento de cirurgias e de tratamentos de radioterapia e quimioterapia. Estou confiante de que vamos voltar à normalidade, mas não nas próximas semanas», afirmou ao “CM” o médico epidemiologista Vítor Rodrigues, presidente da Liga Portuguesa contra o Cancro, explicando que só podiam ser adiados actos médicos se isso não implicasse risco de vida. Porém, o dirigente da Liga Portuguesa contra o Cancro tem dúvidas de que a regra tenha sido cumprida.
A ministra da Saúde, Marta Temido, garantiu no passado sábado que «esta lógica seria invertida» ainda durante esta semana. Temido explicou que seria «reagendada a actividade assistencial não realizada».
A nível global, segundo um balanço da “Agence France-Press”, a pandemia da Covid-19 já provocou mais de 181 mil mortos e infectou mais de 2,6 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 593.500 doentes foram considerados curados.
Portugal conta já com 21.982 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus e 785 óbitos, segundo o boletim epidemiológico da Direção Geral da Saúde desta quarta-feira, dia 22 de Abril.
O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».









