PM de Cabo Verde e líder do MpD defende recenseamento eleitoral automático

Ulisses Correia e Silva, primeiro-ministro de Cabo Verde e presidente do Movimento para a Democracia (MpD, no poder), defendeu que o recenseamento eleitoral no país deve ser automático, considerando o sistema atual insatisfatório.

Executive Digest com Lusa

*** serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***



Praia, 15 mar 2026 (Lusa) — Ulisses Correia e Silva, primeiro-ministro de Cabo Verde e presidente do Movimento para a Democracia (MpD, no poder), defendeu que o recenseamento eleitoral no país deve ser automático, considerando o sistema atual insatisfatório.


“Já tínhamos no parlamento e continuamos a insistir” na proposta de que se faça “o recenseamento oficioso”, ou seja, de forma automática, com os dados do cartão nacional de identificação ou de outros documentos, referiu.


“O recenseamento, nas condições em que temos no código eleitoral, cria sempre insatisfação”, disse, considerando que é quase como “correr atrás das pessoas para se recensearem”, quando se trata “de um direito, mas também de uma obrigação de cidadania política”.


Atualmente, é preciso passar pelas comissões de recenseamento, uma por cada município, para inscrição ou atualização da morada de votação.


“Isso significa que, em várias situações, há pessoas que ficam sem se recensear”, acrescentou.


Ulisses Correia e Silva falava aos jornalistas, no sábado, à margem de um jantar comemorativo dos 36 anos do MpD, na cidade da Praia, dois dias após terminar o recenseamento para as eleições legislativas de 17 de maio.


Os dados provisórios (recolhidos até setembro) apontam para cerca de 403 mil eleitores inscritos, um crescimento de 2,5% (cerca de 9.700) face às últimas legislativas (2021), aos quais ainda falta somar os últimos recenseados, até quinta-feira.


Propostas de alteração à lei eleitoral já circularam no parlamento, prevendo o registo automático de eleitores a partir dos dados eletrónicos centralizados que já são usados para documentos de identificação – como acontece noutros países, caso de Portugal.


“Teríamos de fazer a atualização da lei eleitoral e, infelizmente, não se conseguiu consenso para a alterar, porque exige maioria qualificada de dois terços”, disse Ulisses Correia e Silva.


A CNE anunciou, também na quinta-feira, que vai apurar eventuais responsabilidades em atrasos do recenseamento eleitoral na diáspora, após queixas do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), a principal força da oposição.


O recenseamento provisório aponta para 56.560 eleitores nos três círculos eleitorais do estrangeiro, representando cerca de 14% do total.


Ulisses Correia e Silva, no cargo de primeiro-ministro desde 2016, candidata-se a um terceiro mandato consecutivo, enquanto o PAICV apresenta o seu presidente e autarca da capital, Francisco Carvalho, para tentar voltar ao poder.


Os dois partidos têm governado o país desde as primeiras eleições livres, em 1991, e ocupam atualmente o parlamento, com 38 deputados do MpD e 30 do PAICV, cabendo ainda quatro à União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), que ambiciona ter um papel relevante num eventual cenário sem maioria absoluta.


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