Crescer é uma questão de liderança

Opinião de Paula Peixoto, Diretora de People and Culture da Olisipo

Executive Digest

Por Paula Peixoto, Diretora de People and Culture da Olisipo

 



Durante muito tempo, os líderes foram vistos sobretudo como responsáveis por garantir a execução de trabalho. Definiam tarefas, acompanhavam prazos e asseguravam que os objetivos eram cumpridos. Essa visão pode ter sido suficiente num contexto empresarial mais previsível, mas hoje, é claramente redutora. O papel dos líderes deixou de ser apenas operacional para se tornar estratégico. O seu impacto reflete-se diretamente no desempenho financeiro, na retenção de talento e na sustentabilidade do negócio. Assim, a liderança é, cada vez mais, uma verdadeira alavanca de crescimento.

Acredito que a estratégia nasce na gestão de topo, mas é no terreno que ganha forma e se materializa. É aqui que os líderes assumem um papel determinante. São eles que traduzem objetivos globais em prioridades concretas, que definem ritmos, distribuem responsabilidades e gerem expetativas. Quando esta tradução falha, as consequências refletem-se na desorganização, na perda de foco, na ineficiência e no desgaste das equipas.

Grande parte das dificuldades que encontramos nas organizações não resulta da falta de competências técnicas, mas na falta de clareza. Quando tudo é urgente, quando as prioridades mudam sem enquadramento ou quando não existe alinhamento sobre o que é realmente crítico, a produtividade sofre. E o impacto financeiro destas falhas é muitas vezes invisível nas suas causas, mas evidente nos seus efeitos.

Neste contexto, liderar é saber criar foco. É garantir que cada pessoa sabe o que se espera dela, com que prioridade e com que critérios de sucesso. Para isso, mecanismos simples fazem a diferença: reuniões regulares de alinhamento com objetivos claros, momentos individuais estruturados para acompanhar desempenho e prioridades, e ferramentas de gestão que permitam dar visibilidade real ao trabalho em curso. Liderar também é criar método.

No entanto, acredito que hoje, mais do que nunca, o papel do líder não se esgota na organização do trabalho.

Olhemos, por exemplo, para a retenção de talento. É, atualmente, um dos maiores desafios das empresas e a decisão de permanecer numa organização está muitas vezes ligada à qualidade da liderança direta. As pessoas procuram clareza, coerência, reconhecimento e segurança para expor dúvidas ou assumir erros. Procuram líderes que comuniquem com transparência e que saibam equilibrar exigência com apoio.

Investir no desenvolvimento das lideranças é, por isso, uma das decisões mais estratégicas que uma organização pode tomar. Não basta promover formação em comunicação, inteligência emocional ou gestão de conflito. É fundamental acompanhar os líderes na prática, sobretudo nos primeiros meses de função, dando-lhes espaço para refletir sobre decisões, gerir conflitos reais e ajustar o seu estilo às diferentes pessoas da equipa.

Porque na realidade a liderança não pode ser o problema. Uma liderança preparada aumenta o foco, reduz desgaste e reforça o compromisso. Uma liderança ausente ou mal preparada gera ruído, desalinhamento e, inevitavelmente, impacto nos resultados.

Num mercado cada vez mais exigente, investir em liderança não pode ser um luxo ou uma tendência. Tem de ser uma decisão estratégica. É na qualidade dos seus líderes que as organizações encontram – ou perdem – a sua sustentabilidade.

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