Hospital de Loures terá de responder a cinco regiões na nova rede de obstetrícia

A reorganização da rede foi publicada pela Direção Executiva do SNS poucos dias antes do arranque da primeira urgência regional de ginecologia e obstetrícia, que começará a funcionar no hospital de Loures

Revista de Imprensa

O Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, passa a assumir um papel central na nova rede de referenciação em ginecologia e obstetrícia do Serviço Nacional de Saúde (SNS). A unidade será a única do país com um nível intermédio de especialização a receber utentes provenientes de cinco unidades locais de saúde (ULS), indicou esta sexta-feira o jornal ‘Público’.

Isto significa que, além da sua área de referência — Loures e Odivelas —, o hospital terá também de responder a casos mais complexos encaminhados pelas ULS Oeste, Médio Tejo, Lezíria e Estuário do Tejo, cujos serviços de ginecologia e obstetrícia têm apenas um nível básico de diferenciação.



A reorganização da rede foi publicada pela Direção Executiva do SNS poucos dias antes do arranque da primeira urgência regional de ginecologia e obstetrícia, que começará a funcionar no hospital de Loures.

Rede define funções e necessidades de profissionais

O novo modelo reorganiza os serviços e clarifica as funções de cada hospital. O documento também estabelece uma “dotação ideal” de médicos e enfermeiros para cada unidade, calculada com base no número médio de partos realizados nos últimos três anos e na atividade assistencial, como consultas, cirurgias ou ecografias diferenciadas.

Num hospital com nível básico de especialização (nível I) e menos de 500 partos por ano, por exemplo, o número recomendado é de oito especialistas em ginecologia e obstetrícia a tempo inteiro e 12 enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica.

Loures poderá precisar de mais médicos

No caso do Hospital Beatriz Ângelo, os números são mais elevados devido à dimensão da atividade. Segundo dados disponíveis no Portal do SNS citados pelo Público, a unidade realizou 2620 partos em 2025.

De acordo com a nova rede, a dotação considerada ideal para este volume de atividade será de 21 obstetras e 42 enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica, a tempo inteiro. Caso o número de partos ultrapasse 3000 por ano — um cenário considerado possível já em 2026 com a concentração das urgências — serão necessários mais dois obstetras e mais seis enfermeiros especialistas.

Apesar destas recomendações, a realidade em vários hospitais do SNS está longe destes números, sobretudo devido à escassez de especialistas em obstetrícia.

Falta de obstetras em Lisboa e Vale do Tejo

A carência de profissionais tem sido um dos principais problemas do setor e tem levado ao encerramento temporário ou à concentração de urgências, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Diogo Ayres de Campos, coordenador do grupo de trabalho responsável pela nova rede, admite que vários hospitais da região estão muito abaixo das dotações recomendadas. Entre os exemplos apontados estão Setúbal, São Francisco Xavier, Barreiro e Vila Franca de Xira.

A situação é diferente na região Norte, onde, segundo o especialista, a maioria dos hospitais cumpre as dotações previstas.

Garcia de Orta será o segundo hospital mais pressionado

A reorganização da rede prevê também um aumento significativo da pressão sobre o Hospital Garcia de Orta, em Almada, que será o segundo serviço de nível intermédio mais exigido do país.

Além de responder à sua área de referência — Almada-Seixal —, o hospital terá de receber casos encaminhados pelas ULS Arco Ribeirinho, Arrábida e Litoral Alentejano.

Esta concentração contrasta com a realidade da região Norte, onde os hospitais com serviços de obstetrícia de nível intermédio respondem, no máximo, a duas unidades locais de saúde.

Hospitais passam a ser classificados por níveis

Com a nova rede, os serviços de ginecologia e obstetrícia passam a ser organizados em três níveis principais de especialização — I, II e III — definidos de acordo com o número de partos realizados e a complexidade dos cuidados prestados.

Uma das novidades é a divisão do nível I em duas categorias adicionais: Ia e Ib.

O nível Ia assegura apenas consultas externas e alguns meios de diagnóstico, enquanto o nível Ib inclui também internamento e cirurgia programada, mas sem urgência obstétrica nem bloco de partos.

Hospitais como Vila Franca de Xira e Barreiro, cujas urgências vão ser encerradas para centralização em Loures-Odivelas e Almada, respetivamente, passam a integrar este nível Ib.

Serviços mais diferenciados ficam nos hospitais universitários

No topo da rede estarão os serviços de nível III, localizados sobretudo em hospitais universitários. Estas unidades deverão realizar pelo menos 1500 partos por ano e garantir resposta a patologias mais complexas.

Além de assegurar todos os cuidados dos níveis inferiores, estes hospitais terão de responder a situações de maior complexidade, incluindo ginecologia oncológica, com apoio de cuidados intensivos e equipas especializadas.

Segundo o documento citado pelo Público, os hospitais deste nível devem contar com pelo menos três subespecialistas em ginecologia oncológica e promover a colaboração entre unidades para melhorar a qualidade dos tratamentos e concentrar os casos mais complexos.

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