O primeiro-ministro, António Costa, deixou um recado a países como a Holanda, dizendo que «os que mais beneficiam do mercado interno são os que mais perderão.
«Ou mutualizamos o esforço da recuperação ou só estaremos cá todos para mutualizar as perdas da recuperação. Não se trata de solidariedade, mas de racionalidade», disse Costa, no debate sobre o Conselho Europeu, sublinhando que está em causa «a recessão ou prosperidade do mercado interno» e isso «não é uma preocupação dos países mais vulneráveis».
No arranque do debate, no Parlamento, o chefe do Governo português começou por elogiar o trabalho ministro das Finanças para que, «depois de um parto difícil, houvesse consenso» no Eurogrupo.
António Costa pede «uma mensagem forte e clara» no próximo Conselho Europeu, lembrando que a vontade do Governo portuguesa é que seja constituído o Fundo de Retoma.
Quanto ao financiamento, entende que deve ser feito através de emissão de dívida pela Comissão Europeia, «mediante garantia dos Estados-membros». «É fundamental para a constituição de um fundo entre um e 1,6 biliões de euros», frisou. Por outro lado, a transferência de dinheiro deste fundo para os países deve ser feito em forma de subvenção ao invés de empréstimos.
No entender de Costa, é preciso reforçar o orçamento comunitário, pois esta crise sanitária «foi assimétrica nos efeitos». «Países em que o Turismo tem um peso mais relevante, estão mais expostos a esta crise», sublinhou.
Já no encerramento do debate, Costa disse que a o ponto central que estará amanhã em discussão no Conselho Europeu será justamente a forma se transfere e financia esse programa de recuperação. O primeiro-ministro adiantou que se a decisão lhe coubesse optaria pelas subvenções». Falta saber se a Europa vai dar uma «fisga» ou uma «bazuca», disse.
Portugal conta já com 21.982 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus e 785 óbitos, segundo o boletim epidemiológico da Direção Geral da Saúde desta quarta-feira, dia 22 de Abril.
O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».
A pandemia de Covid-19 já matou 178 pessoas e há quase 2,5 milhões de infectados em 193, segundo o mapa interactivo da universidade John Hopkins.
*Notícia actualizada às 18:10






