O grupo Mota-Engil admitiu hoje a possibilidade de abrir o capital da sua unidade de negócio da mineração durante a apresentação do plano estratégico 2026-2030, que decorreu em Lisboa.
“Estamos a analisar. Não temos nenhum compromisso concreto de abrir capital nessa área, mas têm-nos perguntado se considerávamos abrir, e isso depende das propostas”, disse aos jornalistas o vice-presidente do grupo, Manuel Mota, no final da apresentação do plano “Focus 2030”.
Referiu, contudo, que essa hipótese não está, para já, nos planos do grupo.
Em 2025, o grupo Mota-Engil realizou uma receita de 732 milhões de euros e um EBITDA (resultado antes de impostos, juros, amortizações e depreciações) de 216 milhões no negócio da mineração, que inclui operações de construção (‘contract mining’) em 11 minas e a exploração de sete minas em países como África do Sul e Senegal.
Em relação aos novos projetos nesta área, Manuel Mota anunciou a exportação de ferro a partir de uma mina nos Camarões, um projeto que disse ter “grande potencial, mas também com uma questão logística que é bastante complexa”.
Disse também que o grupo está a considerar investir na Bahia Mineração, uma empresa brasileira que detém a concessão de um projeto integrado com um porto, uma linha férrea e uma mina de ferro, assim como na Argentina, em parceria com o gigante mineiro Rio Tinto.
Manuel Mota admitiu o interesse da Mota-Engil em entrar na exploração mineira em Portugal, mas salientou que “é muito difícil investir quando a realidade ambiental não o permite”.
Para o vice-presidente do grupo, “as questões ambientais têm de mudar para que possa ser atrativo investir” nesta área em Portugal e na União Europeia.
Dando como exemplo o atraso na entrada em funcionamento da mina de lítio prevista para a região do Barroso, o gestor disse que “em qualquer continente já estaria construída mas, na Europa, se calhar, vai precisar de mais 20 anos”.
Admitiu ainda que é “um excelente projeto”, para o qual a Mota-Engil “olhou várias vezes”.
A área de recursos naturais é uma das vias estratégicas para o grupo Mota-Engil, no âmbito do plano estratégico 2026-2030 que prevê um aumento nos próximos cinco anos do volume de negócios dos atuais 5,3 mil milhões para 9 mil milhões de euros, a um ritmo de crescimento de cerca de 11% ao ano.
A meta da construtora de atingir 2030 com “um balanço mais robusto” prevê igualmente uma margem líquida acima de 4%, uma margem de EBITDA superior a 18%, um rácio de solvabilidade superior a 18%, um ‘cash-flow’ equivalente a 25% ou mais do EBITDA, um rácio de dívida líquida/EBITDA abaixo de duas vezes e um rácio CAPEX/volume de negócios de 7%.
A meta para o EBITDA é subir dos atuais mil milhões de euros para 1,6 mil milhões, com um crescimento médio anual de 10%.
Para os acionistas, está previsto entregar 30% a 50% dos lucros.




