A escalada só agora começou: Irão avisa que petróleo pode atingir 200 dólares por barril

O comando militar iraniano alertou esta quarta-feira que o mundo deve preparar-se para uma forte escalada no preço do petróleo, admitindo que o valor do barril poderá atingir 200 dólares.

Pedro Zagacho Gonçalves

O comando militar iraniano alertou esta quarta-feira que o mundo deve preparar-se para uma forte escalada no preço do petróleo, admitindo que o valor do barril poderá atingir 200 dólares, num momento em que o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão continua a intensificar-se e a perturbar gravemente o mercado energético global.

A advertência surge numa altura em que três navios foram novamente atacados no Golfo, numa região onde o tráfego marítimo permanece profundamente condicionado pelo bloqueio do estreito de Ormuz, considerado o principal ponto crítico do transporte mundial de petróleo.

A declaração foi feita por Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar iraniano, que responsabilizou diretamente os Estados Unidos pela deterioração da segurança regional.

“Preparem-se para o petróleo atingir os 200 dólares por barril, porque o preço do petróleo depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, afirmou, numa mensagem dirigida a Washington.

A advertência surge depois de os Estados Unidos e Israel terem conduzido, nas últimas semanas, aquilo que o Pentágono descreveu como os ataques mais intensos de sempre contra alvos iranianos.

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Apesar dessa pressão militar, Teerão afirma continuar capaz de responder e de provocar perturbações nas cadeias globais de energia.

Ataques e bloqueio energético no Golfo
Durante o dia de quarta-feira, o Irão voltou a lançar ataques contra Israel e vários alvos no Médio Oriente, demonstrando que mantém capacidade ofensiva apesar da campanha militar conduzida por Washington e Telavive.

O conflito tem tido impacto direto no comércio energético mundial. O estreito de Ormuz, por onde transitava antes da guerra cerca de um quinto do petróleo consumido no planeta, permanece praticamente bloqueado.

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A interrupção do tráfego naquela passagem estreita ao largo da costa iraniana está a provocar a maior perturbação no fornecimento de energia desde as crises petrolíferas da década de 1970.

Apesar de os preços do petróleo terem disparado no início da semana, registaram entretanto algum recuo, enquanto os mercados bolsistas recuperaram parcialmente. Muitos investidores acreditam que o presidente norte-americano, Donald Trump, poderá ainda encontrar uma solução rápida para terminar a guerra iniciada há quase duas semanas em coordenação com Israel.

No terreno, contudo, não há sinais de desescalada. A navegação no estreito continua considerada insegura e os ataques militares persistem.

Ameaça de ataques a bancos ligados aos EUA e a Israel
Além da advertência sobre o petróleo, o porta-voz militar iraniano anunciou que o país poderá também atacar instituições financeiras associadas aos Estados Unidos ou a Israel.

Depois de um banco em Teerão ter sido atingido durante ataques noturnos, Zolfaqari declarou que o Irão responderá contra bancos que mantenham relações com Washington ou Telavive.

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O responsável acrescentou ainda um aviso dirigido à população da região, recomendando que as pessoas mantenham uma distância mínima de mil metros de edifícios bancários.

Autoridades israelitas admitem resistência do regime iraniano
Fontes israelitas admitiram entretanto que o sistema político iraniano poderá resistir ao conflito.

Um alto responsável israelita disse à Reuters que os líderes do país aceitam agora em privado a possibilidade de o regime iraniano sobreviver à guerra.

Outros dois responsáveis indicaram também que não existem sinais de que Washington esteja perto de encerrar a campanha militar contra o Irão.

Multidões participam em funerais de comandantes iranianos
Num gesto público de desafio, grandes multidões reuniram-se esta quarta-feira nas ruas de várias cidades iranianas para participar nos funerais de altos comandantes militares mortos em ataques aéreos.

Durante as cerimónias, os participantes transportaram caixões e exibiram bandeiras, bem como retratos do líder supremo Ali Khamenei, morto nos primeiros dias da guerra, e do seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei.

Mojtaba Khamenei terá ficado ferido no início da guerra
Um responsável iraniano indicou à Reuters que Mojtaba Khamenei sofreu ferimentos ligeiros no início do conflito, quando ataques aéreos mataram o seu pai, a sua mãe, a sua esposa e um dos filhos.

Desde o início da guerra, Mojtaba Khamenei não apareceu em público nem divulgou qualquer mensagem direta. Uma fonte adicional afirmou que Israel acredita igualmente que o líder iraniano terá sido apenas ligeiramente ferido.

Ataques iranianos atingem bases e cidades da região
O exército iraniano declarou na terça-feira ter lançado mísseis contra uma base militar norte-americana no norte do Iraque, contra o quartel-general da marinha dos EUA no Médio Oriente, no Bahrein, e ainda contra alvos no centro de Israel.

Explosões foram ouvidas no Bahrein, enquanto no Dubai quatro pessoas ficaram feridas depois de dois drones terem caído nas proximidades do aeroporto da cidade.

Na capital iraniana, vários residentes afirmam estar a adaptar-se ao clima constante de ataques aéreos noturnos.

Os bombardeamentos levaram centenas de milhares de pessoas a abandonar a cidade e a refugiar-se em zonas rurais, enquanto colunas de fumo provenientes de instalações petrolíferas atingidas têm provocado um fenómeno descrito por habitantes como “chuva negra”.

Apesar do ambiente de guerra, alguns moradores dizem tentar manter a rotina diária. “Houve bombardeamentos ontem à noite, mas já não fiquei assustado como antes. A vida continua”, afirmou Farshid, um residente de 52 anos, numa conversa telefónica com a Reuters.

Enquanto os combates prosseguem e o tráfego marítimo permanece bloqueado no estreito de Ormuz, cresce o receio entre analistas e governos de que a escalada militar possa desencadear um choque energético global com impacto profundo na economia mundial.

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