Hacker estrangeiro comprometeu ficheiros Epstein em ataque aos servidores do FBI

Um hacker estrangeiro conseguiu aceder, em 2023, a ficheiros relacionados com a investigação do FBI ao financista Jeffrey Epstein, num ataque informático que atingiu um servidor do escritório da agência federal em Nova Iorque.

Pedro Gonçalves

Um hacker estrangeiro conseguiu aceder, em 2023, a ficheiros relacionados com a investigação do FBI ao financista Jeffrey Epstein, num ataque informático que atingiu um servidor do escritório da agência federal em Nova Iorque. A intrusão foi revelada por documentos do Departamento de Justiça norte-americano recentemente divulgados e por uma fonte familiarizada com o caso, avança a Reuters.

O incidente ocorreu no New York Field Office do FBI e afetou um servidor utilizado pelo Child Exploitation Forensic Lab, unidade especializada na análise de provas digitais relacionadas com crimes de exploração sexual infantil. Segundo a mesma fonte e documentos analisados pela agência Reuters, o atacante conseguiu consultar ficheiros ligados à investigação a Epstein, embora não esteja claro quais foram exatamente os documentos consultados ou se houve descarga de dados.



No comunicado oficial, o FBI referiu-se ao episódio como um New York Field Office do FBI e afetou um servidor utilizado pelo Child Exploitation Forensic Lab, unidade especializada na análise de provas digitais relacionadas com crimes de exploração sexual infantil. Segundo a mesma fonte e documentos analisados pela agência Reuters, o atacante conseguiu consultar ficheiros ligados à investigação a Epstein, embora não esteja claro quais foram exatamente os documentos consultados ou se houve descarga de dados.

Apesar de a intrusão parecer ter sido realizada por um cibercriminoso e não por um Estado estrangeiro, especialistas alertam para o potencial valor estratégico da informação associada ao caso Epstein.

“Quem não estaria interessado nos ficheiros de Epstein se fosse russo ou alguém à procura de kompromat?”, afirmou o especialista. “Se as agências de inteligência estrangeiras não estiverem a pensar seriamente nos ficheiros de Epstein como um alvo, ficaria surpreendido.”

A publicação legalmente obrigatória de documentos do Departamento de Justiça norte-americano sobre o caso Epstein revelou ligações do financista a figuras influentes da política, finanças, academia e mundo empresarial, desencadeando investigações em vários países.

Intrusão ocorreu em fevereiro de 2023
Segundo os documentos analisados, o ataque informático ocorreu a 12 de fevereiro de 2023 e foi descoberto no dia seguinte. O episódio está descrito numa cronologia redigida pelo agente especial do FBI Aaron Spivack, incluída num conjunto mais vasto de documentos divulgados este ano no âmbito das investigações sobre Epstein.

De acordo com esse relato, o servidor ficou vulnerável depois de Spivack ter tentado lidar com procedimentos complexos do FBI relacionados com o tratamento de provas digitais.

Quando regressou ao trabalho no dia seguinte, o agente encontrou no computador um ficheiro de texto que alertava para o facto de a rede ter sido comprometida. A análise posterior revelou sinais de atividade invulgar no servidor, incluindo a consulta de determinados ficheiros ligados à investigação a Epstein.

Os documentos não especificam quais os ficheiros concretos consultados, nem indicam se o hacker descarregou informação. Também não foi possível estabelecer se existe alguma ligação entre os dados potencialmente acedidos e os documentos sobre Epstein tornados públicos no início deste ano.

Identidade do hacker permanece desconhecida
A identidade do responsável pelo ataque permanece desconhecida e um mistério. A fonte relata que o incidentes indicou apenas que o hacker em causa era um hacker estrangeiro que aparentemente não percebeu inicialmente que tinha invadido um servidos das autoridades norte-americanas.

Ao encontrar imagens relacionadas com abusos de menores no dispositivo, o hacker terá demonstrado indignação e deixou uma mensagem na qual ameaçava denunciar o proprietário do servidos ao FBI, indica a mesma fonte.

A situação acabou por ser resolvida após responsáveis da agência norte-americana convencerem o intruso se que o sistema pertencia efetivamente ao FBI. Para isso, pediram ao hacker que participasse numa videochamada, durante a qual mostraram as credenciais oficias perante uma câmara.

Nos documentos, Aaron Spivack afirmou aos investigadores que estava a ser “transformado em bode expiatório” pelo incidente. Segundo o agente, o problema terá sido causado por orientações contraditórias e falhas nas políticas internas de tecnologia da informação do FBI.

A agência Reuters não conseguiu confirmar qual foi o resultado da investigação interna do FBI sobre o episódio. Spivack não respondeu aos pedidos de comentário e também não foi possível contactar o advogado identificado nos documentos como seu representante, Richard J. Roberson Jr.

Sete agentes do FBI mencionados como envolvidos na investigação do incidente também não responderam às solicitações da agência de notícias.

Jeffrey Epstein, um financista com ligações a figuras influentes nos Estados Unidos e no estrangeiro, declarou-se culpado em 2008 de acusações relacionadas com prostituição, incluindo solicitação de uma menor.

Em 2019, após ser novamente detido e acusado em tribunal federal de tráfico sexual de menores, Epstein foi encontrado morto na cela da prisão onde se encontrava detido. A morte foi oficialmente classificada como suicídio por enforcamento.

Desde então, o caso continua a suscitar forte controvérsia, alimentada pela divulgação progressiva de documentos judiciais e pelas ligações do financista a personalidades de destaque.

Muitos desses documentos foram divulgados com extensas partes censuradas, enquanto outros permanecem totalmente confidenciais. A administração do presidente Donald Trump justificou a retenção de alguns materiais com a necessidade de proteger a identidade das vítimas e salvaguardar investigações em curso.

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