O Fundo Monetário Internacional (FMI) decidiu instar os governos de todo o mundo a considerar a implementação de impostos sobre a riqueza para aumentar a receita enquanto a pandemia atinge as economias, noticia o The Guardian.
O Fundo considera, com base num relatório recente dedicado a questões fiscais, os decisores políticos deveriam rever os impostos de renda, propriedade e património, assumidos como “sobretaxa de solidariedade”.
Por outro lado, para a maioria dos cidadãos, com rendimentos médios, o FMI incentiva a redução dos impostos sobre o trabalho, bem como as transferências de renda para ajudar os mais atingidos com a perda de empregos ou outras circunstâncias.
A recomendação do FMI para um imposto sobre a riqueza marca uma forte reviravolta para uma instituição que há muito tempo incentiva cortes de impostos como um elemento central de seu menu de políticas para os países em desenvolvimento.
Contudo, diante de um crescimento que agravou o fosso ente países, nos últimos anos, o FMI foi ajustando a sua posição e passou a propor planos para ajudar a reduzir a diferença entre as pessoas mais ricas dos demais.
“Desigualdade de oportunidades. Desigualdade entre gerações. Desigualdade entre mulheres e homens. E, claro, desigualdade de renda e riqueza. Estão presentes nas nossas sociedades e – infelizmente – em muitos países estão a crescer”, afirmou a diretora geral do FMI, Kristalina Georgieva.
Importa recordar que, na semana passada, o FMI projetou que a pandemia poderá levar a um colapso económico que rivalizará apenas com a Grande Depressão. Prevendo ainda que o produto interno bruto global cairá cerca de 3% este ano e poderá cair mais se o surto não for contido.
Georgieva sublinhou, aquando do anúncio destas previsões, na segunda-feira, que a organização pode precisar propor “medidas excecionais” para ajudar os países a aliviar os efeitos económicos da pandemia.




