«Maio pode ser um mês de retrocesso» no combate em Portugal à pandemia de Covid-19 se os cuidados não forem mantidos e houver um rápido regresso à «normalidade». O alerta foi deixado por Gustavo Tato Borges, vice-presidente da Associação dos Médicos de Saúde Pública, à “Renascença”.
«Em finais de Março e no mês de Abril tivemos medidas drásticas e uma redução grande na mobilidade da população e estamos a ver os números a estabilizar e, possivelmente agora, iremos começar a assistir a alguma redução. Se em maio abrirmos de uma forma rápida de mais a circulação, a economia e a liberdade das pessoas, podemos vir a assistir àquilo a que muita gente tem chamado ‘a segunda onda’. Voltar a ter transmissão disseminada na comunidade, de uma forma não controlada», afirmou.
Gustavo Tato Borges entende que a utilização das máscaras por toda a gente em espaços comuns «é fundamental», assim como a «diminuição de mobilidade na mesma». «As pessoas têm de sair só para aquilo que é estritamente necessário; a reabertura de celebrações religiosas terá de ser com um número controlado. E cada vez menos as pessoas correrem riscos, mesmo estando numa situação controlada», justificou, certo de que «a partir do momento que as pessoas começam a relaxar e a assumir comportamentos de risco, então vamos voltar a assistir a um aumento do número de casos».
O vice-presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública deixou ainda alguns conselhos na “Renascença”, entre os quais a redução da lotação, aumento da frequência de transportes públicos, a questão da desinfecção. «São tudo coisas que têm de entrar no nosso dia-a-dia normal até termos a doença completamente controlada ou até haver uma vacina», disse.
O responsável não vê, ainda assim, motivos para renovar o Estado de Emergência para lá de 2 de Maio. «O que tem de voltar a existir são regras de funcionamento e reabertura de diversos espaços, que sejam adequados à reabertura da economia, mas também que estejam consagrados com aquilo que são todas as recomendações da DGS», explicou. O que «poderá é ser precipitado abrir de uma forma imediata a convivência económica e social entre todos nós», acrescentou ainda.
A nível global, segundo um balanço da “Agence France-Press”, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 176 mil mortos e infectou mais de 2,5 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 567 mil doentes foram considerados curados.
Portugal regista, neste momento, 21.379 casos confirmados de infecção por Covid-19 (+516 do que ontem) e 762 vítimas mortais associadas ao novo coronavírus (+27), segundo o boletim epidemiológico da Direção Geral da Saúde desta terça-feira, dia 21 de Abril.
O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».






