As receitas da exportação de alumínio por Moçambique, totalmente dependente da Mozal, maior indústria nacional, que encerra em 15 de março, dispararam no primeiro semestre de 2025, para 702,7 milhões de euros (595 milhões de euros).
Segundo dados compilados pela Lusa a partir do mais recente relatório do Banco de Moçambique, que detalha as exportações de janeiro a junho de 2025, esse volume contrasta com os 479,9 milhões de dólares (406,1 milhões de euros) no mesmo período de 2024.
Esse crescimento, aponta ainda, foi “impulsionado tanto pelo aumento dos preços como pelo crescimento do volume exportado”, que consiste em barras de alumínio.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reconhece que a anunciada suspensão da atividade da Mozal, uma das maiores fundições de alumínio em África e que não chegou a acordo com as autoridades moçambicanas para as tarifas de um novo contrato de fornecimento de eletricidade, representa um risco para a economia de Moçambique.
A posição, que surge num relatório de avaliação à economia moçambicana no âmbito das consultas regulares, aprovado em 13 de fevereiro, refere que os “riscos” para as perspetivas económicas de Moçambique são atualmente “fortemente negativos”, dando como exemplo a Mozal, que representa 4% do Produto Interno Bruto (PIB).
“As negociações em curso sobre as tarifas de eletricidade com a Mozal representam riscos adicionais”, lê-se na mesma posição.
A central sindical moçambicana OTM alertou em fevereiro que a suspensão da atividade da Mozal representa um “terramoto”, devido ao peso na economia nacional e aos despedimentos.
“A concretizar-se este prenúncio, estaremos perante uma espécie de terramoto nacional, cuja magnitude sentiremos logo na hora, uma vez que esta multinacional contribui significativamente para o PIB [Produto Interno Bruto], com aproximadamente 4%, sendo uma das maiores indústrias no país, impulsionando as exportações e gerando milhares de empregos diretos e indiretos”, afirmou o secretário-geral da Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS), Damião Simango.
O aviso surge depois de a Mozal ter comunicado ao comité sindical da empresa a intenção de avançar com um despedimento coletivo, no âmbito da suspensão da atividade prevista para 15 de março, face ao diferendo em torno das tarifas de energia a fornecer à fundição de alumínio.
A Lusa noticiou em 12 de fevereiro que a Mozal vai avançar com um despedimento coletivo, no âmbito da suspensão da atividade em março, conforme comunicação feita ao comité sindical da empresa de fundição, que emprega diretamente mais de mil trabalhadores.
Em causa, segundo o documento enviado este mês ao comité sindical, está o “processo de consulta de despedimento coletivo” e respetivo pacote de indemnizações, no âmbito do diferendo em torno do fornecimento de energia à fundição.
A australiana South32 garantiu no mesmo dia que vai suspender, em 15 de março, a atividade da fundição de alumínio Mozal, apesar das tentativas do Governo para ultrapassar o diferendo.
“Passará para o regime de manutenção e conservação em março de 2026 devido à impossibilidade de garantir um fornecimento de energia elétrica suficiente e acessível”, disse Graham Kerr, diretor-executivo da South32, principal acionista da Mozal.
A South32 admitiu continuar a dialogar com o Governo, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a energética sul-africana Eskom para garantir o fornecimento de “eletricidade suficiente e acessível” até à suspensão em março, quando o acordo atual expira.
A Mozal compra quase metade da energia produzida em Moçambique, essencialmente pela HCB, e já admitiu aceitar um aumento nas tarifas a pagar, mas garantiu que a proposta recebida era muito superior às praticadas noutros países.
Em 18 de agosto, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou que as tarifas de energia propostas pela Mozal levariam ao colapso da HCB.



