Megaprojeto multibilionário do México pode rivalizar com o Canal do Panamá: o que está em causa?

Projeto chama-se Corredor Interoceânico do Istmo de Tehuantepec e foi concebido como um “canal seco”

Francisco Laranjeira

O México está a desenvolver um ambicioso corredor ferroviário e portuário que poderá transformar as rotas comerciais entre o Pacífico e o Atlântico e funcionar como alternativa ao Canal do Panamá. A informação foi divulgada pela ‘Newsweek’, que descreve o projeto como uma nova ligação logística capaz de transportar contentores entre duas costas em poucas horas.

Segundo a revista americana, o projeto chama-se Corredor Interoceânico do Istmo de Tehuantepec e foi concebido como um “canal seco”: uma ligação ferroviária que atravessa a estreita faixa do sul do México, ligando o porto de Salina Cruz, no Pacífico, ao porto de Coatzacoalcos, no Golfo do México.



A infraestrutura terá mais de 300 quilómetros de extensão (186,4 milhas) e permitirá transportar contentores entre os dois oceanos em menos de seis horas. O corredor será complementado por portos modernizados, estradas melhoradas e vários parques industriais instalados ao longo da rota.

A ‘Newsweek’ refere que os responsáveis pelo projeto pretendem criar uma plataforma logística integrada capaz de tornar o México numa alternativa competitiva quando as rotas marítimas tradicionais enfrentam constrangimentos, como acontece com o Canal do Panamá em períodos de seca.

Os planeadores estimam que o corredor possa atingir uma capacidade anual de cerca de 1,4 milhões de contentores, contribuindo para aliviar congestionamentos nas rotas marítimas globais.

O investimento no projeto ascende a cerca de 7,5 mil milhões de dólares (aproximadamente 6,9 mil milhões de euros) e poderá desviar até 5% do tráfego habitual do Canal do Panamá, oferecendo uma alternativa mais rápida em determinadas circunstâncias.

O projeto deverá também ter impacto económico significativo na região. Estima-se a criação de 800 empregos diretos e 2.400 indiretos, além da implementação de zonas industriais e de livre comércio com incentivos fiscais destinados a atrair empresas e fabricantes.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, descreveu o corredor como “um projeto excecional” que oferece uma alternativa logística ao Canal do Panamá. A líder mexicana defendeu que o Istmo de Tehuantepec constitui a melhor rota terrestre para ligar o Pacífico ao Atlântico.

A Autoridade do Canal do Panamá reagiu também ao projeto, sublinhando que a via marítima continua a ser a principal escolha para os armadores. A entidade recordou que o canal assegura ligações a mais de 180 rotas marítimas que conectam 170 países e cerca de 1.920 portos em todo o mundo.

Ainda assim, segundo a ‘Newsweek’, a autoridade panamiana garante que acompanha atentamente iniciativas que possam competir com a infraestrutura, ao mesmo tempo que continua a investir no reforço da sua capacidade e competitividade.

O Corredor Interoceânico do Istmo de Tehuantepec foi inicialmente aprovado em 2019 e deverá ficar concluído no primeiro semestre de 2026, com as últimas obras de construção previstas para junho.

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