O agravamento do conflito no Médio Oriente e o encerramento do Estreito de Ormuz já começaram a afetar o comércio eletrónico global, com várias plataformas a alertarem para atrasos nas entregas e possíveis aumentos de custos logísticos. Empresas como Shein, Temu, AliExpress e Amazon informaram que os prazos de entrega para alguns destinos da região poderão aumentar após a interrupção de rotas marítimas e aéreas, noticia o jornal ‘El Economista’.
Segundo dados recolhidos pela ‘Bloomberg’, citados pelo ‘El Economista’, os tempos de entrega já começaram a aumentar no Médio Oriente. No caso da Amazon, os prazos passaram a rondar 45 dias, mais dez dias do que anteriormente. A Temu regista um aumento de cerca de cinco dias, elevando o prazo médio para 20 dias, enquanto a Shein viu o tempo de entrega subir três dias, atingindo oito dias.
O impacto pode tornar-se ainda mais significativo devido às alterações nas rotas comerciais. A interrupção de tráfego em zonas críticas está a obrigar muitos navios a evitar não só o Estreito de Ormuz, mas também rotas tradicionais que passam pelo Canal de Suez. Em muitos casos, os cargueiros estão a contornar o continente africano através do Cabo da Boa Esperança, um percurso muito mais longo que aumenta os custos e os tempos de transporte.
A crise no Estreito de Ormuz tem um impacto potencial enorme no comércio mundial, já que esta passagem estratégica é responsável por cerca de 20% do petróleo transportado por via marítima no mundo, além de volumes significativos de gás natural liquefeito.
Especialistas do setor logístico consideram que o comércio eletrónico será um dos segmentos mais afetados. Francisco Aranda, presidente da associação empresarial espanhola UNO Logística, explicou que não se prevê uma escassez que obrigue ao encerramento de fábricas, mas alertou para o impacto direto no comércio online.
Segundo Aranda, as empresas de logística já estavam preparadas para cenários de disrupção nas cadeias de abastecimento. No entanto, o comércio eletrónico poderá sofrer um aumento significativo dos custos de transporte e atrasos nas entregas, com o tempo de trânsito a prolongar-se entre três e quatro semanas em determinadas rotas.
Para mitigar os efeitos da crise, operadores logísticos estão a reorganizar rotas, otimizar recursos e reforçar a coordenação com fornecedores e transportadoras. O objetivo é garantir que o comércio internacional continue a funcionar apesar das perturbações.
O impacto já preocupa também as autoridades espanholas. O secretário de Estado dos Transportes e da Mobilidade Sustentável, José Antonio Santano, afirmou que a interrupção do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz tem consequências diretas para a indústria, para o setor logístico e para os portos espanhóis.
Além das alterações nas rotas, outro fator que pressiona os custos é o aumento dos prémios de seguro marítimo e de transporte. De acordo com especialistas do setor, a escalada militar no Médio Oriente levou a um aumento significativo das coberturas de risco de guerra, deixando muitos navios praticamente sem proteção para navegar naquela zona.
Nannette Wong, diretora da área de Aviação, Transporte e Logística da corretora Aon em Espanha, afirma que nos últimos dias se verificou um claro endurecimento das condições de seguro para operações logísticas na região. Ainda assim, algumas seguradoras continuam a operar com relativa normalidade enquanto aguardam pela evolução da crise.
Analistas alertam que os atrasos já registados são apenas o primeiro sinal do impacto que a escalada do conflito poderá ter nas cadeias de abastecimento globais, com riscos de aumento de preços e novas perturbações no comércio internacional.






