Irão: Conflito não aumenta risco militar em Taiwan

Analistas taiwaneses consideram que a guerra no Médio Oriente pode reconfigurar o equilíbrio estratégico no Pacífico ao pressionar recursos de Washington e influenciar a visita de Donald Trump à China, mas afastam maior risco militar no estreito de Taiwan.

Executive Digest com Lusa

Analistas taiwaneses consideram que a guerra no Médio Oriente pode reconfigurar o equilíbrio estratégico no Pacífico ao pressionar recursos de Washington e influenciar a visita de Donald Trump à China, mas afastam maior risco militar no estreito de Taiwan.


Chieh Chung, investigador do Instituto para a Investigação de Defesa e Segurança Nacional de Taiwan, afirmou à agência de notícias oficial CNA que a probabilidade de uma invasão chinesa “não é tão elevada” no curto prazo, considerando que Pequim mantém como objetivo a “reunificação pacífica” e que o Exército de Libertação Popular (ELP) ainda dispõe de capacidade limitada para assegurar uma “vitória rápida”.


Embora os Estados Unidos não reconheçam oficialmente Taiwan nem mantenham relações diplomáticas formais com a ilha, são o seu principal fornecedor de armamento e interviriam em sua defesa caso fosse atacada pela China, que reclama soberania sobre o território, autogovernado desde 1949.


O analista acrescentou que as recentes purgas na liderança militar chinesa, incluindo a destituição de altos responsáveis da Comissão Militar Central — principal órgão dirigente das Forças Armadas — indicam que “não é o momento adequado” para uma ação militar externa de grande escala.


Chieh alertou que um conflito prolongado no Médio Oriente poderá afetar indiretamente a capacidade de dissuasão norte-americana no Pacífico ocidental.


Segundo o especialista, as forças dos Estados Unidos já alertaram no passado para a escassez de munições guiadas de precisão, pelo que uma campanha sustentada baseada em ataques aéreos poderá “reduzir a prontidão operacional” norte-americana e “enfraquecer a sua capacidade de dissuadir a China” no Pacífico oriental.


Chieh acrescentou que, caso a crise evolua até final de março para uma guerra de desgaste, a posição negocial de Trump perante Pequim poderá sair “enfraquecida” antes da visita anunciada pela Casa Branca para o final do mês, ainda não confirmada oficialmente pela China.


Chang Wu-ueh, conselheiro do Instituto para a Investigação de Política Nacional, considerou que as recentes ações norte-americanas na Venezuela e no Irão demonstram que Washington mantém como prioridade a competição estratégica com a China, embora o espaço para alcançar acordos substanciais em matéria comercial ou sobre Taiwan durante a visita pareça limitado.


Chieh advertiu que sistemas de defesa aérea que Taiwan pretende adquirir poderão sofrer atrasos caso a crise no Médio Oriente se prolongue e reduza os inventários norte-americanos, numa altura em que aliados de Washington também reforçam as suas capacidades defensivas.


Desde sábado, Israel bombardeia, em coordenação com os Estados Unidos, diversas posições no Irão, alegando procurar destruir arsenais e capacidades de produção de mísseis balísticos e pôr fim ao regime dos aiatolas.


Teerão respondeu com ataques contra países da região, incluindo os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein, a Arábia Saudita e o Kuwait.


 

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