Pedro Nuno Santos e Mariana Mortágua atravessam uma fase distinta das suas trajetórias políticas, marcada por afastamentos das lideranças partidárias e por novas ocupações profissionais. O antigo secretário-geral do PS continua com o mandato de deputado suspenso e regressou às empresas da família, enquanto a ex-coordenadora do Bloco de Esquerda mantém atividade política interna e reforçou funções académicas no ISCTE. Ambos optaram por um perfil mais discreto após momentos determinantes nas respetivas carreiras.
Segundo a Revista Sábado, Pedro Nuno Santos assumiu publicamente, após as Legislativas de 18 de maio de 2025 — em que o PS obteve 22,83%, um dos piores resultados da sua história, caindo para terceiro lugar no parlamento, com menos dois mandatos do que o Chega — que “só recuperaremos a confiança dos portugueses quando sentirem que percebemos o que é que correu mal”. Uma semana depois, abandonou a liderança do partido. No parlamento, adotou uma posição mais reservada na bancada socialista e, a 9 de outubro, anunciou a suspensão do mandato por 180 dias, a contar de 24 de outubro, invocando “um motivo ponderoso de natureza pessoal e profissional”. Foi substituído por Lia Ferreira, quinta na lista do PS por Aveiro. O período de suspensão termina a 24 de abril, mas fonte próxima afirmou à publicação que o ex-líder “não sabe, ainda, se vai regressar ao parlamento”.
Entretanto, regressou ao “trabalho nas empresas da família”, segundo a mesma fonte. O pai é proprietário da Tecmacal, empresa de maquinaria ligada ao setor do calçado, sediada em São João da Madeira. A 19 de janeiro, escreveu na rede social X: “Eu deito-me tarde, mas tenho de me levantar cedo, que tenho máquinas para vender.” Contactada a sede da empresa, na tarde de 12 de fevereiro, a rececionista indicou que Pedro Nuno Santos não se encontrava nas instalações naquele momento, questionando se pretendiam deixar recado — o que sugere presença regular. Questionado sobre se reside em Lisboa ou em São João da Madeira, respondeu por mensagem: “Não quero responder.” A publicação aponta que deverá dividir o tempo entre as duas cidades: o filho frequenta colégio na capital e a mulher, Catarina Gamboa, foi contratada por Alexandra Leitão como assessora na câmara, “na área da economia e conceção e desenvolvimento de políticas públicas municipais”, segundo contrato de avença no valor de 3.950 euros mais IVA mensais.
Já Mariana Mortágua permanece ligada à política, embora tenha deixado a coordenação do Bloco de Esquerda. “Não podemos desperdiçar um quadro como a Mariana”, afirmou à Sábado uma fonte da Comissão Política Nacional. Em novembro, foi eleita para a Mesa Nacional, órgão máximo do partido, participando também em plenários distritais. Questionado sobre eventual vínculo laboral ao partido, o Bloco respondeu, através da assessoria, que “não tem qualquer vínculo profissional”. Outra fonte indicou que está “só a dar aulas no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa”. Professora desde o ano letivo 2020/21, quando lecionou Economia Política da Financeirização, tornou-se coordenadora três anos depois, incluindo do Mestrado em Economia e Políticas Públicas. Em janeiro assumiu a direção do Doutoramento em Economia, decisão que gerou polémica na rede social X quanto às suas qualificações. Após semanas em silêncio, publicou fotografias nas redes sociais acompanhadas da frase: “As coisas que nós aprendemos em duas semanas!”, referindo-se a ações de apoio às intempéries em Leiria, onde esteve com vários bloquistas, entre os quais Francisco Louçã. Contactada pela revista, não atendeu nem respondeu. A 12 de fevereiro, lecionou entre as 18h e as 20h a unidade curricular de Economia e Políticas Públicas a cerca de duas dezenas de alunos de mestrado e, no final, recusou prestar declarações: “Não atendi, não quis falar consigo e portanto decidiu vir perseguir-me ao meu local de trabalho? Não quero falar consigo.”










