A União Europeia decidiu reduzir drasticamente a missão diplomática russa em Bruxelas para um máximo de 40 funcionários e está a preparar medidas para impedir a entrada de ex-militares russos no espaço Schengen, avançou esta terça-feira o ‘Kyiv Post’. Bruxelas descreve a iniciativa como um novo aperto na pressão política e securitária sobre Moscovo.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, anunciou as medidas, associando-as ao reforço das sanções e ao combate às redes de evasão russas. “Estamos a apertar o cerco à frota clandestina da Rússia” e a sancionar mais indivíduos por “violações massivas dos direitos humanos”, afirmou.
“Decidi também limitar o tamanho máximo da Missão Russa na União Europeia a 40 pessoas. Não toleraremos abusos de poder diplomático”, acrescentou.
“Não queremos criminosos de guerra nas nossas ruas”
Numa das declarações mais contundentes, Kallas revelou que a Comissão Europeia está a trabalhar com os Estados-membros para impedir que “potenciais centenas de milhares” de antigos soldados russos circulem livremente no espaço Schengen.
“Não queremos criminosos de guerra e sabotadores a circular livremente pelas nossas ruas”, declarou, numa mensagem que poderá ter consequências diretas na política de vistos e mobilidade dentro do bloco.
Se for aprovada, a proibição de entrada representará uma das medidas de segurança mais agressivas da UE desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, visando diretamente indivíduos que participaram no conflito — e não apenas oligarcas ou altos responsáveis do Estado russo.
Tensão com Moscovo e bloqueio húngaro
A missão do Kremlin junto da UE reagiu, acusando Bruxelas de agir contra diplomatas russos após o bloqueio de um 20º pacote de sanções que deveria ter sido aprovado a 24 de fevereiro, data que assinala o aniversário da invasão.
O impasse no Conselho Europeu centra-se na Hungria, cujo ministro dos Negócios Estrangeiros, Péter Szijjártó, condicionou o apoio a novas sanções e ao pacote financeiro de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia à retoma do trânsito de petróleo russo através do oleoduto Druzhba.
Kiev argumenta que a interrupção ocorreu após danos na infraestrutura no final de janeiro. Já o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Norbert Wadephul, afirmou que Berlim tentará convencer Budapeste a rever a sua posição.
Apesar de reconhecer o bloqueio como um “revés”, Kallas deixou claro que a UE não recuará. O novo pacote de sanções deverá incluir restrições adicionais às exportações de petróleo russo e controlos mais rigorosos sobre transações com criptomoedas, numa tentativa de limitar o financiamento da guerra por parte de Moscovo.
Com a guerra a entrar no seu quinto ano, Bruxelas endurece o discurso e as medidas, sinalizando que a pressão diplomática e económica sobre a Rússia continuará a intensificar-se — inclusive no coração da Europa.







