Poeiras do Saara em Portugal. Porque acontece e que cuidados devemos ter nos próximos dias?

Uma nova vaga de poeiras provenientes do norte de África está a afetar Portugal, trazendo céu encoberto, descida das temperaturas máximas e impactos na qualidade do ar. As autoridades meteorológicas e de saúde já emitiram recomendações, sobretudo para os grupos mais vulneráveis.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 24, 2026
15:13

Uma nova vaga de poeiras provenientes do norte de África está a afetar Portugal, trazendo céu encoberto, descida das temperaturas máximas e impactos na qualidade do ar. As autoridades meteorológicas e de saúde já emitiram recomendações, sobretudo para os grupos mais vulneráveis.

O que está a acontecer em Portugal?
Esta terça-feira regista-se uma descida das temperaturas máximas e o céu apresenta-se nublado, contrastando com os dias anteriores de sol e calor. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), encontram-se em suspensão no ar poeiras oriundas do deserto do Saara, no norte de África.



Trata-se de partículas transportadas pelos ventos a partir de regiões muito secas, como o Saara, onde a fraca precipitação e rajadas mais intensas facilitam a elevação de poeiras para a atmosfera. Além disso, parte dessas partículas pode também resultar de queimadas agrícolas realizadas para preparação de terrenos, fenómeno que contribui igualmente para a presença de poeiras que acabam por atingir Portugal.

Que regiões são afetadas e quando?
De acordo com as previsões, a Madeira é a primeira região a sentir os efeitos desta nova vaga. Desde segunda-feira que as partículas são visíveis no arquipélago, ainda em baixa concentração, sobretudo junto à costa norte da ilha da Madeira, onde também se verifica maior nebulosidade.

Já esta terça-feira, as poeiras atingem as regiões Centro e Sul do continente, estendendo-se igualmente ao Norte, embora com menor densidade. A previsão aponta para uma intensidade baixa a média-baixa.

As ruas e os carros vão ficar muito sujos?
As previsões indicam que a concentração de poeiras não deverá ser muito elevada. Em termos práticos, os efeitos imediatos deverão traduzir-se sobretudo num céu mais acinzentado.

Contudo, a partir de quarta-feira está previsto o regresso da chuva. Nessa altura, as poeiras poderão depositar-se à superfície, provocando sujidade em carros, varandas e ruas. Ainda assim, espera-se que o fenómeno seja menos intenso do que em episódios anteriores. Na quinta-feira, a situação deverá estar normalizada.

Porque são estas poeiras um problema para a saúde?
A presença de poeiras em suspensão deteriora a qualidade do ar, podendo agravar problemas respiratórios e cardiovasculares. Por esse motivo, a Direção-Geral da Saúde (DGS) recorda a necessidade de adotar medidas preventivas, sobretudo junto das populações mais vulneráveis.

Segundo a DGS, crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardiovasculares são particularmente sensíveis aos efeitos deste fenómeno e devem, sempre que possível, permanecer no interior dos edifícios.

A autoridade de saúde sublinha que, “pela sua maior vulnerabilidade aos efeitos deste fenómeno”, estes grupos devem ficar preferencialmente em casa e manter as janelas fechadas.

Que recomendações existem para a população em geral?
Para a população em geral, a DGS aconselha:

  • Reduzir esforços físicos prolongados, especialmente ao ar livre;
  • Limitar a atividade física no exterior;
  • Evitar a exposição a fatores de risco, como o fumo do tabaco e o contacto com produtos irritantes.

Estas medidas visam minimizar a inalação de partículas e reduzir o impacto das poeiras na saúde.

E os doentes crónicos, o que devem fazer?
A DGS recomenda que os doentes crónicos mantenham os tratamentos médicos em curso. Em caso de agravamento de sintomas, devem contactar a Linha Saúde 24, através do número 808 24 24 24, ou recorrer a um serviço de saúde.

A vigilância de sintomas como falta de ar, tosse persistente ou agravamento de problemas cardiovasculares é considerada essencial durante estes episódios.

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