Uma nova vaga de poeiras provenientes do norte de África está a afetar Portugal, trazendo céu encoberto, descida das temperaturas máximas e impactos na qualidade do ar. As autoridades meteorológicas e de saúde já emitiram recomendações, sobretudo para os grupos mais vulneráveis.
O que está a acontecer em Portugal?
Esta terça-feira regista-se uma descida das temperaturas máximas e o céu apresenta-se nublado, contrastando com os dias anteriores de sol e calor. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), encontram-se em suspensão no ar poeiras oriundas do deserto do Saara, no norte de África.
Trata-se de partículas transportadas pelos ventos a partir de regiões muito secas, como o Saara, onde a fraca precipitação e rajadas mais intensas facilitam a elevação de poeiras para a atmosfera. Além disso, parte dessas partículas pode também resultar de queimadas agrícolas realizadas para preparação de terrenos, fenómeno que contribui igualmente para a presença de poeiras que acabam por atingir Portugal.
Que regiões são afetadas e quando?
De acordo com as previsões, a Madeira é a primeira região a sentir os efeitos desta nova vaga. Desde segunda-feira que as partículas são visíveis no arquipélago, ainda em baixa concentração, sobretudo junto à costa norte da ilha da Madeira, onde também se verifica maior nebulosidade.
Já esta terça-feira, as poeiras atingem as regiões Centro e Sul do continente, estendendo-se igualmente ao Norte, embora com menor densidade. A previsão aponta para uma intensidade baixa a média-baixa.
As ruas e os carros vão ficar muito sujos?
As previsões indicam que a concentração de poeiras não deverá ser muito elevada. Em termos práticos, os efeitos imediatos deverão traduzir-se sobretudo num céu mais acinzentado.
Contudo, a partir de quarta-feira está previsto o regresso da chuva. Nessa altura, as poeiras poderão depositar-se à superfície, provocando sujidade em carros, varandas e ruas. Ainda assim, espera-se que o fenómeno seja menos intenso do que em episódios anteriores. Na quinta-feira, a situação deverá estar normalizada.
Porque são estas poeiras um problema para a saúde?
A presença de poeiras em suspensão deteriora a qualidade do ar, podendo agravar problemas respiratórios e cardiovasculares. Por esse motivo, a Direção-Geral da Saúde (DGS) recorda a necessidade de adotar medidas preventivas, sobretudo junto das populações mais vulneráveis.
Segundo a DGS, crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardiovasculares são particularmente sensíveis aos efeitos deste fenómeno e devem, sempre que possível, permanecer no interior dos edifícios.
A autoridade de saúde sublinha que, “pela sua maior vulnerabilidade aos efeitos deste fenómeno”, estes grupos devem ficar preferencialmente em casa e manter as janelas fechadas.
Que recomendações existem para a população em geral?
Para a população em geral, a DGS aconselha:
- Reduzir esforços físicos prolongados, especialmente ao ar livre;
- Limitar a atividade física no exterior;
- Evitar a exposição a fatores de risco, como o fumo do tabaco e o contacto com produtos irritantes.
Estas medidas visam minimizar a inalação de partículas e reduzir o impacto das poeiras na saúde.
E os doentes crónicos, o que devem fazer?
A DGS recomenda que os doentes crónicos mantenham os tratamentos médicos em curso. Em caso de agravamento de sintomas, devem contactar a Linha Saúde 24, através do número 808 24 24 24, ou recorrer a um serviço de saúde.
A vigilância de sintomas como falta de ar, tosse persistente ou agravamento de problemas cardiovasculares é considerada essencial durante estes episódios.














