A Polícia Metropolitana de Londres deteve esta segunda-feira o ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, Peter Mandelson, de 72 anos, no âmbito de uma investigação por suspeita de má conduta em cargo público relacionada com os seus laços com Jeffrey Epstein. A informação é avançada pela agência ‘Associated Press’ (AP).
Em comunicado, a polícia indicou que “os agentes detiveram um homem de 72 anos por suspeita de má conduta em cargo público” numa morada no norte de Londres. Como é prática habitual no Reino Unido, as autoridades não identificaram formalmente o suspeito, mas Mandelson já tinha sido anteriormente associado ao caso.
A investigação centra-se em documentos e comunicações que sugerem que Mandelson terá partilhado informações governamentais confidenciais com Epstein há cerca de 15 anos, quando exercia funções governativas na administração do então primeiro-ministro Gordon Brown. Não enfrenta quaisquer acusações de natureza sexual.
A abertura formal da investigação criminal ocorreu no início deste mês, depois de o Governo liderado por Keir Starmer ter reencaminhado para as autoridades comunicações trocadas entre Mandelson e Epstein. E-mails divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos no final de janeiro revelaram que a relação entre ambos era mais próxima do que se sabia publicamente.
Mandelson já tinha sido afastado do cargo diplomático em setembro, na sequência da divulgação de mensagens que mostravam que manteve contacto com Epstein mesmo após a condenação do financeiro, em 2008, por crimes sexuais envolvendo uma menor. Mais recentemente, demitiu-se do Partido Trabalhista e renunciou ao seu lugar na Câmara dos Lordes.
O antigo diplomata declarou anteriormente que se arrependia “profundamente” da sua relação passada com Epstein, mas não fez qualquer comentário público após as últimas revelações nem respondeu aos pedidos de esclarecimento.
A detenção surge poucos dias depois de André Mountbatten-Windsor, irmão mais novo do rei Carlos III, ter sido igualmente detido sob suspeita de má conduta em cargo público, no âmbito de alegações de que também teria partilhado documentos confidenciais com Epstein. André sempre negou qualquer irregularidade.
O caso volta a colocar sob escrutínio figuras de topo do establishment britânico devido às ligações ao financeiro americano, cuja rede de contactos continua a gerar repercussões políticas e judiciais em vários países.










