Nunca deve deitar estes 5 resíduos no lava-loiça

Em Portugal, milhares de ocorrências de entupimentos e falhas no tratamento da água têm origem em maus hábitos domésticos, segundo dados do setor da água. É importante alertar que o lava-loiça não faz desaparecer “por magia” os resíduos.

Executive Digest com DECO PROTeste
Fevereiro 22, 2026
18:00

Em Portugal, milhares de ocorrências de entupimentos e falhas no tratamento da água têm origem em maus hábitos domésticos, segundo dados do setor da água. É importante alertar que o lava-loiça não faz desaparecer “por magia” os resíduos.

Na prática, tudo o que segue pelo ralo acaba nas redes de saneamento e, depois, nas estações de tratamento de águas residuais (ETAR), com graves consequências a vários níveis. As gorduras, por exemplo, exigem esforços acrescidos para remover os poluentes das águas usadas (através de processos sequenciais físicos, químicos e biológicos), para devolvê-las com segurança ao ambiente.



Mas há pequenos gestos diários simples que podem fazer a diferença. Saiba o que pode e não deve despejar no lava-loiça e as soluções recomendadas pelos especialistas e gestores das redes de saneamento.

Quais os resíduos que nunca devem ir pelo cano?

As gorduras não são as únicas responsáveis pelos problemas nas ETAR e nas canalizações. Eis os cinco principais resíduos que exigem máxima atenção.

1. Óleos e gorduras alimentares

As gorduras solidificam nas tubagens e dão origem aos chamados “fatbergs”, uma das maiores causas de entupimentos urbanos. Além disso, dificultam os processos biológicos de tratamento da água e reduzem a oxigenação dos rios.

Segundo a Agência Portugal do Ambiente:

  • Um litro de óleo doméstico deitado no ralo da banca da cozinha chega a contaminar um milhão de litros de água;
  • Mil litros de óleos alimentares usados permitem produzir mais de 900 litros de biodiesel.

2. Restos de comida

Bagos de arroz, pedaços de massa, borra de café ou molhos incham com a água, acumulam-se nos sifões e aumentam a carga orgânica das águas residuais, tornando o tratamento mais caro e complexo.

3. Leite e outros produtos lácteos

O leite e os seus derivados — como natas, iogurtes líquidos ou queijo derretido — combinam gorduras e uma elevada carga orgânica, o que exige mais tratamentos das águas nas ETAR, elevando o consumo de energia e o risco de não eliminar totalmente esses resíduos e de contaminar o meio aquático.

4. Antibióticos, xaropes e outros medicamentos

As ETAR não conseguem eliminar por completo as substâncias químicas dos medicamentos. Estas têm sido detetadas em rios portugueses e podem causar alterações hormonais em peixes e contribuir para a resistência antimicrobiana, um grave problema de saúde pública.

5. Tintas, solventes, detergentes e outros químicos

Tintas, vernizes e solventes, mas também a lixívia e outros detergentes contêm substâncias tóxicas e podem matar as bactérias essenciais ao tratamento biológico da água. Mesmo em pequenas quantidades, representam um risco para os ecossistemas aquáticos.

Qual é o impacto de deitar resíduos nas canalizações?

O mau hábito de despejar os resíduos indicados nas canalizações está a gerar grandes impactos ambientais e custos elevados nas estações de tratamento de águas residuais (ETAR).

Ao sobrecarregar os sistemas de saneamento, torna-se mais difícil remover os poluentes das águas usadas, podendo acabar por desaguar nos rios e no mar, afetando ecossistemas e atividades de lazer ou a pesca.

Além dos danos ambientais, estes comportamentos levam a entupimentos nas canalizações e aumentam significativamente os custos de manutenção das redes de saneamento, pagos indiretamente por todos os consumidores, na fatura que recebem em casa.

As entidades gestoras em Portugal identificam as gorduras e os resíduos orgânicos (como os restos de comida) como um dos principais fatores de despesa na gestão dos esgotos urbanos.

Quais as boas práticas para toda a família?

É possível evitar entupimentos, melhorar o tratamento das águas e proteger o meio aquático, se todos adotarmos alguns gestos simples, mas eficazes.

  • Coloque óleos alimentares usados em garrafas ou frascos usados e deposite em pontos de recolha próprios.
  • Molhos, restos de leite, de sopa ou de outros líquidos com resíduos devem ir para o lixo indiferenciado. Dependendo da quantidade, despeje numa garrafa ou frasco usado ou absorva com papel de cozinha.
  • Remova dos pratos e tachos restos de comida com um talher ou guardanapo usado antes de lavar a loiça.
  • Entregue medicamentos e xaropes fora de prazo ou o que sobrar nas farmácias. Saiba onde depositar medicamentos.
  • Encaminhe solventes, tintas e outros resíduos químicos para ecocentros.
  • Use detergentes com moderação, evitando os produtos com ação desinfetante, bactericida ou com outros ingredientes agressivos para o ambiente.

Dica da DECO PROteste: quando comprar produtos de limpeza, procure escolher detergentes com menos substâncias tóxicas, vendo os símbolos de perigo no rótulo.

O essencial para proteger os canos e o ambiente

Aqui fica um resumo do que não se deve mesmo deitar pelo ralo do lava-loiça e como proceder.

O que não se deve despejar no lava-loiça e soluções
Não deve ir pelo ralo Boas práticas
Óleos usados Encher uma garrafa usada e depositar num ponto de recolha
Molhos e gorduras Absorver com papel de cozinha e pôr no caixote de lixo
Leite, natas e lacticínios Absorver com papel de cozinha ou pôr no caixote de lixo num frasco fechado
Tintas, vernizes, solventes e outros químicos Depositar num ecocentro
Medicamentos, xaropes fora de prazo Entregar na farmácia
Cosméticos Pôr o conteúdo no caixote de lixo e a embalagem no contentor apropriado (plástico, vidro ou papel)
Borras de café Pôr no caixote ou no saco de biorresíduos ou usar na compostagem
Arroz, massa, cascas e outros resíduos orgânicos Pôr todos os restos de comida no caixote ou saco de biorresíduos ou usar na compostagem

Sugestão: cole estas boas práticas junto do lava-loiça, para que toda a família saiba o que fazer em vez de deitar tudo pelo cano do lava-loiça.

Estas pequenas mudanças no dia-a-dia podem evitar entupimentos, reduzir a poluição dos rios e ajudar a proteger os recursos hídricos em Portugal.

No ralo do lava-loiças, como em qualquer canalização da casa, só se deve deitar água e produtos de limpeza diluídos e com menos substâncias tóxicas. Isto porque o lava-loiça não faz desaparecer por magia os resíduos.

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