A vida extraterrestre voltou ao centro do debate depois de Barack Obama afirmar que os alienígenas são “reais” — ainda que não haja qualquer prova de que tenham visitado a Terra. Em entrevista, o ex-presidente dos Estados Unidos descartou uma das teorias mais populares: não existem extraterrestres escondidos na Área 51.
Obama sublinhou que, estatisticamente, o universo é tão vasto que as probabilidades de existir vida fora da Terra são elevadas. No entanto, acrescentou que as enormes distâncias entre sistemas solares tornam improvável que tenhamos sido visitados — e garantiu que, durante a sua presidência, não viu qualquer evidência de contacto alienígena.
A posição do antigo líder americano está alinhada com um princípio central da astrobiologia: num universo com biliões de estrelas e planetas, é plausível que a vida tenha surgido noutros mundos. A grande questão é onde procurar.
Exoplanetas na “zona habitável”
Os astrónomos concentram-se sobretudo em planetas semelhantes à Terra que orbitam estrelas distantes na chamada “zona habitável”, onde a temperatura permite a existência de água líquida.
Um dos candidatos mais promissores é o TRAPPIST-1e, localizado a cerca de 40 anos-luz. Este planeta, com massa próxima da Terra, orbita uma estrela anã vermelha fria. Observações do Telescópio Espacial James Webb sugerem que poderá ter uma atmosfera semelhante à terrestre, aumentando a possibilidade de reter água líquida.
Outro nome frequentemente citado é o K2-18b, a 124 anos-luz, na constelação de Leão. Trata-se de um possível “mundo hiceano”, coberto por oceanos. Observações identificaram moléculas como sulfeto de dimetila (DMS), que na Terra estão associadas a organismos vivos. Ainda assim, vários cientistas alertam que as evidências são preliminares e contestadas.
Mais distantes, os planetas Kepler-62e e Kepler-62f, a cerca de 1.200 anos-luz, também orbitam na zona habitável da sua estrela. A NASA chegou a classificar um deles como um dos mundos mais promissores já descobertos para albergar vida.
Vida mais perto de casa?
Apesar do fascínio pelos exoplanetas, alguns investigadores acreditam que o melhor local para procurar vida pode estar no nosso próprio sistema solar.
Encélado, lua de Saturno com cerca de 500 quilómetros de diâmetro, possui um oceano subterrâneo sob a superfície gelada. A sonda Cassini detetou moléculas orgânicas complexas nas plumas de gelo que jorram do polo sul — ingredientes considerados essenciais para a vida.
Titã, outra lua de Saturno, também desperta interesse. Estudos recentes indicam a existência de túneis e bolsas de água sob a superfície gelada, onde a temperatura poderá atingir níveis compatíveis com formas de vida simples. Além disso, Titã apresenta lagos e rios de hidrocarbonetos líquidos, tornando-o um laboratório natural único.
A matemática da vida alienígena
A procura por extraterrestres também é guiada pela Equação de Drake, que estima o número de civilizações tecnológicas na galáxia com base em fatores como formação de estrelas e existência de planetas habitáveis.
Com os dados recolhidos pelo telescópio Kepler, os cálculos sugerem que é extremamente improvável que a humanidade seja a única civilização inteligente que já existiu. As probabilidades de estarmos sozinhos seriam inferiores a uma em 10 bilhões de trilhões.
Ainda assim, entre probabilidades estatísticas e provas concretas há uma enorme diferença. Como lembrou Obama, a vastidão do cosmos pode favorecer a existência de vida — mas também dificulta qualquer contacto.
A pergunta mantém-se aberta: se os alienígenas existem, estarão escondidos a dezenas de anos-luz ou sob o gelo de uma lua distante?








